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Eli Vieira
eli@cobrafuma.com
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Jornalista e biólogo geneticista, autor de “Mais Iguais que Os Outros” (Avis Rara, 2025). Coautor das reportagens Twitter Files Brasil e Vaza Toga 2.
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Eli Vieira 7 months ago
“A Sociedade Aberta e Seus Inimigos não é um apelo ao relativismo, mas uma defesa da civilização contra o dogma e o autoritarismo. A sociedade aberta de Popper se sustenta não no relativismo moral, mas na humildade epistêmica: o reconhecimento de que ninguém tem um monopólio da verdade, e que os valores devem ser mantidos abertos para crítica e revisão. ‘O que precisamos e o que queremos’, escreve ele, ‘é moralizar a política, não politizar a moralidade’. Para Popper, ‘moralizar a política’ é aplicar padrões éticos à ação política, enquanto ‘politizar a moralidade’ é sacralizar um único código moral como a lei imutável — uma prática que leva diretamente à repressão política. Popper não negou a existência das verdades morais objetivas. O que ele negou foi o direito do Estado de impô-las como certezas fixas. A obra de Popper pertence a uma tradição que remonta a Jeremy Bentham, John Stuart Mill e Friedrich Hayek: pensadores que viram a liberdade não como amoralidade, mas como um espaço no qual a verdade possa ser testada, os erros possam ser corrigidos, e formas melhores de viver sejam descobertas. Como Mill insiste no ensaio ‘Sobre a Liberdade’, ‘a percepção mais clara e a impressão mais vívida da verdade [são] produzidas por sua colisão com o erro’. A alternativa — sociedades construídas sobre verdades supostamente infalíveis — produziu os gulags, as câmaras de gás e genocídios. O liberalismo não é politicamente restrito por ser metafisicamente magro. Ele é politicamente restrito porque é moralmente sério.” — Roger Partridge, jurista neozelandês, na revista Quillette.
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Eli Vieira 7 months ago
Aplaudir leis de “injúria” ou “discurso de ódio” que te favoreçam é passar o seguinte recado: “Sim, eu sou frágil. Sou um alecrim dourado que vai murchar se você emitir certas palavrinhas feias contra mim. E vou usar o poder do Estado, que tira à força dinheiro de nós dois, para colocar os meus sentimentos subjetivos acima do seu direito de se expressar.” Esse atestado de fragilidade e passivo-agressividade jamais sairia da boca de uma drag queen que enfrentou a polícia nos anos 1960 para ter um local para flertar e beber em Nova York, o bar Stonewall. Não sairia da boca do abolicionista Frederick Douglass, que dedicava tempo das suas viagens de trem a brigar com quem quisesse impor a segregação LEGAL sobre ele. Não sairia da boca da sufragista Millicent Fawcett, que ao argumentar pelo voto feminino chegou a cogitar a sério, para fins de argumentação, que mulheres pudessem ser menos inteligentes que homens. O identitarismo que hoje impõe censura via tráfico de influência junto a juiz do STF não é um herdeiro do melhor do ativismo dos direitos civis. O identitarismo é uma fraude que atrai gente de péssimos hábitos, inclusive narcisistas vulneráveis.
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Eli Vieira 8 months ago
Steve Hughes, baterista e comediante australiano, 2009: nada acontece quando você fica ofendido.
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Eli Vieira 8 months ago
Sabe de qual problema de gênero ninguém quer falar? - Uma juíza impôs medidas cautelares draconianas sobre o Léo Lins em 2023, incluindo proibição de sair de São Paulo por mais de 10 dias e de trabalhar. - Uma juíza condenou Léo Lins a oito anos de prisão por contar piadas. Segunda magistrada mulher, portanto, a impor censura ao humorista. - Em 1948, uma pesquisa mostrou que as mulheres eram 1,5 vez mais propensas a apoiar a censura à pesquisa do sexólogo Alfred Kinsey, comparadas aos homens. - As mulheres também são sobrerrepresentadas entre os acadêmicos e alunos que chamaram por censura e cancelamento nas universidades. - As duas informações acima são de um artigo publicado na revista científica PNAS. O artigo afirma que "as mulheres, que são mais avessas a riscos e mais protetoras dos vulneráveis que os homens, são mais censoras". https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2301642120 O autoritarismo que está destruindo a liberdade de expressão no Brasil e no resto do ocidente é quase que literalmente um problema de mães superprotetoras mimando seus metafóricos filhos. O progressismo é uma ideologia de supremacia do feminino sobre o masculino. O identitarismo é o ápice do autoritarismo que atrai mulheres e outras pessoas com inclinações de personalidade a exagerar cuidados a supostos vulneráveis na política, atropelando todo o resto, inclusive princípios basilares como tratamento igual perante a lei. Se mimar os filhos gera pessoas admiráveis, deixo para a experiência de cada um observar. Houve um tempo em que um colunista como Christopher Hitchens ousava escrever na revista Vanity Fair que "mulheres não são engraçadas". É uma hipérbole injusta, claro, como sabe qualquer conhecedor da história da comédia. Mas o ponto é que havia liberdade para dizer. Em 2007, era possível criticar uma mulher em particular ou as mulheres como um sexo e não ser chamado universalmente de "misógino" por isso, silenciado, perseguido, demitido de uma publicação de esquerda. Agora, não é possível mais. Mande este texto para seu amigo progressista e conte os segundos até ele me acusar de ser misógino por dizer que o impulso para a censura é mais presente nas mulheres que nos homens, e por dizer que o progressismo é supremacia feminina. Já falar mal dos homens como um grupo está 100% liberado, se não for ativamente incentivado. Que tipo de comentário vocês acham que eu recebi de progressistas por ter ousado escrever o texto com título "Homens são ótimas pessoas, na verdade"? Se é que me mandar tomar naquele lugar (homofobia do bem) é um "comentário". Bem-vindos à era do um peso e duas medidas. Bem-vindos à destruição do tratamento igual perante a lei, e do inchaço do Estado Babá em Estado Mamãe. E é uma mãe furiosa e intolerante. A agressividade de fêmeas prenhes ou com filhotes é bem conhecida dos biólogos, mas a biologia é a ciência que o progressismo identitário mais ama ignorar e odiar. O tratamento desigual não é sequer um bug da ideologia, é uma premissa fundamental. É por isso que eles riem de qualquer argumento universalista como "imagine se fosse...". Ideólogos são incapazes de imaginar se fosse. Pois sua imaginação é a totalitária, ela existe apenas para avançar uma utopia que esmaga tudo o que estiver em seu caminho, como um rolo compressor.