Hum... :tomoko_sip:
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O caso mais recente e documentado de alegada influência russa em Angola é o julgamento e condenação, em julho de 2026, de dois cidadãos russos por terrorismo, espionagem e crimes relacionados a uma operação de influência política.
📌O que aconteceu
Em 22 de julho de 2026, um tribunal em Luanda condenou:
- Igor Ratchin (consultor político) a 11 anos de prisão;
- Lev Lakshtanov (tradutor) a 8 anos de prisão.
Eles foram presos em agosto de 2025, após protestos e distúrbios violentos em Angola (final de julho de 2025). Os protestos começaram com uma greve de taxistas contra o aumento dos preços dos combustíveis e evoluíram para três dias de motins e saques, que deixaram 22 mortos (segundo o Ministério do Interior angolano; números oficiais da polícia na época apontavam cerca de 30 mortos), centenas de feridos e mais de mil detidos.
Dois angolanos também foram julgados no mesmo processo: o jornalista desportivo Amor Carlos Tomé (condenado a 2 anos com pena suspensa) e o ativista Francisco Oliveira (absolvido).
📌As acusações
Segundo a denúncia (consultada pela BBC e outras agências), os dois russos teriam:
- Participado de uma operação de influência ligada à Africa Politology, descrita pelas autoridades angolanas como uma rede política russa sucessora do antigo grupo Wagner (o fundador Yevgeny Prigozhin morreu em 2023).
- Chegado a Angola a partir de 2024 sob o pretexto de abrir um centro cultural russo (“Russian House” ou similar), projeto que nunca se concretizou.
- Pago mais de US$ 24 mil a jornalistas e especialistas locais para disseminar conteúdo pró-Rússia e anti-governo, com o objetivo de provocar mudança política.
- Tentado interferir nas eleições presidenciais de 2027, incluindo reuniões com figuras do MPLA (partido no poder) e da UNITA (principal oposição), e alegada oferta de apoio financeiro (até US$ 15 milhões, segundo algumas versões) e assistência de segurança a potenciais candidatos.
- Contribuição para a radicalização dos protestos de 2025 e preparação de ações destinadas a desestabilizar o país (incluindo acusações de “preparação de golpe de Estado” e tentativa de controlo de ativos económicos).
Os acusados negaram todas as acusações, afirmando que estavam em Angola apenas para atividades culturais e comerciais. Os advogados pediram a extradição para a Rússia com base em acordos bilaterais; não está claro se o pedido foi aceite.
📌Contexto mais amplo
Angola e Rússia mantêm relações históricas desde a independência (1975), com forte componente militar e de cooperação. Sob o presidente João Lourenço, no entanto, o país tem-se aproximado mais do Ocidente (incluindo os EUA) e distanciado relativamente de Moscovo em alguns domínios. A operação alegada encaixa-se no padrão de influência russa em África pós-Wagner, que combina consultoria política, desinformação, contactos com elites e, por vezes, exploração de tensões sociais.
Investigações conjuntas (como as da RFI e do coletivo All Eyes on Wagner) apontaram a Africa Politology como uma rede de operadores de influência, lobbyistas e consultores a serviço de interesses russos no continente.
Este é, de longe, o episódio mais recente e concreto de alegada interferência russa em Angola reportado pela imprensa internacional (BBC, AFP, The Africa Report, Kyiv Post e outros) em meados de julho de 2026.
[Conteúdo criado com o Grok em 25/07/26]