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Otavio
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Cristão Reformado Escritor Teólogo & Professor
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Otavio 1 month ago
Muitos pastores costumam citar John Wesley como exemplo de santidade masculina. Porém, ele está longe de ser um exemplo para homens cristãos que almejam crescer em piedade. ​Segundo Nathan Busenitz, Wesley se casou com Mary Vazeille em 1751. Molly, como era conhecida, voltou e deixou Wesley várias vezes antes de se separarem definitivamente em 1758. ​Por causa das viagens constantes de seu marido, Molly se sentia cada vez mais negligenciada. Ela começou a sentir ciúmes de seu marido, que frequentemente estava fora de casa, e a suspeitar das relações amigáveis que Wesley mantinha com diversas mulheres do movimento Metodista. ​Stephen Tompkins revela em seu livro que "quando Wesley fez uma viagem missionária à Irlanda em 1758, Molly relatou que as palavras com que seu marido a deixou foram as seguintes: ‘Espero nunca mais ver sua cara perversa.’" ​Quando Wesley voltou para a Inglaterra, eles brigaram violentamente pelo fato de ele ter se recusado a mudar seus hábitos de escrever cartas afetuosas para outras mulheres. Molly o acusou de adultério e "invocou para ele todas as maldições de Gênesis a Apocalipse." ​Em dezembro de 1760, Molly avistou Wesley saindo mais cedo de uma reunião com uma mulher chamada Betty Disine, sendo visto com ela na manhã seguinte. Molly disse a ele, de maneira afetuosa, para desistir de correr atrás de outras mulheres, pois seu caráter estava em jogo. ​Comentando sobre o casamento trágico do fundador do Metodismo, Singleton traz a seguinte questão: ​"A lacuna entre marido e mulher aumentou emocional e fisicamente até um ponto de não ter mais volta. Se você tiver a oportunidade de visitar a Capela Wesley em Londres, verá, entre os artefatos na casa de Wesley, sua escrivaninha cheia de compartimentos escondidos. Foi exatamente nesse móvel que Molly leu as cartas de Wesley para suas ‘queridas irmãs’, interpretando e construindo de forma errada a linguagem enfeitada que denotava afeição, o que serviu de combustível para aumentar as chamas do ciúme." ​Vale salientar que, aparentemente, Wesley não parecia amar Molly por inteiro. A mulher por quem John Wesley foi verdadeiramente apaixonado, e que muitos historiadores consideram o grande amor de sua vida, era Sophia Hopkey. ​Em Savannah, Geórgia (EUA), por volta de 1736, Wesley conheceu Sophia. Ele era um jovem missionário rigoroso na colônia americana, passou muito tempo ensinando-a e, claramente, se apaixonou. ​Wesley ficou dividido entre o desejo de casar e sua dedicação religiosa ao celibato missionário. Ele consultou amigos da comunidade morávia, que o aconselharam a não seguir em frente com o casamento. ​Cansada da hesitação de Wesley, Sophia acabou se casando com outro homem, William Williamson. ​Amargurado e acreditando que ela havia negligenciado sua vida espiritual, Wesley negou a comunhão (a Ceia do Senhor) a ela. Isso gerou um processo judicial contra ele e foi um dos principais motivos que o levaram a "fugir" de volta para a Inglaterra. ​Além de Sophia, Wesley também demonstrou interesse por Grace Murray (uma viúva que cuidava dele quando ficava doente). ​Ele chegou a pedi-la em casamento e ela aceitou, mas o irmão de John, Charles Wesley, interveio por achar que o casamento prejudicaria o movimento metodista. Charles agiu rápido e providenciou para que Grace se casasse com um dos pregadores de John, John Bennet, antes que o irmão pudesse impedir. ​O fracasso do casamento de Wesley é algo triste, porém nos mostra que ele era pecador e tinha dificuldades em seu matrimônio por não ter uma visão correta sobre o sétimo mandamento. ​O fracasso do casamento de Wesley nos alerta sobre as tentações que não somente pastores, mas qualquer homem cristão casado enfrenta. Alguns sofrem e acabam cedendo à traição emotiva; outros são maduros o suficiente para arrancar o olho direito. ​O casamento bíblico não diz respeito somente à união sexual, mas também à união espiritual, onde dois se tornam uma só carne, incluindo afeições e desejos do coração. ​Um marido cristão pode prover tudo para a sua esposa, dar conforto material a ela e cumprir todas as obrigações conjugais, e mesmo assim seu coração estar desejando outra mulher. ​Em 2022, o pastor americano Matt Chandler, líder da The Village Church (no Texas), afastou-se temporariamente do púlpito após uma auditoria em suas redes sociais. ​A investigação apontou que as mensagens diretas trocadas com uma mulher no Instagram não continham teor sexual ou romântico, mas a frequência e a familiaridade excessiva (incluindo piadas tolas) cruzaram limites de prudência exigidos de um líder religioso. ​Chandler reconheceu a falta de cautela, cumpriu o processo de restauração estabelecido pelos presbíteros da igreja e retornou às atividades meses depois. ​Lembro-me de uma conversa que tive com um grande amigo na ocasião em que eu era padrinho de casamento dele. Na despedida de solteiro, ele me disse que aprendeu com Schaeffer que um homem não deve conversar em demasia sobre assuntos de cunho intelectual com uma mulher que não seja sua esposa. ​Por exemplo, se eu gosto de falar sobre Filosofia, Epistemologia e Metafísica, seria inadequado conversar sobre esses assuntos com uma mulher que tenha esses mesmos interesses, mas que não seja minha esposa. Nunca me esqueci da dica desse meu amigo. ​A Palavra de Deus estabelece padrões elevados para aqueles que são líderes na sua igreja local. Entre as qualificações para ser líder está uma vida familiar estruturada. Acredito que a guarda do sétimo mandamento diz respeito, fundamentalmente, ao que cultivamos em nosso coração e às pequenas decisões do dia a dia. Resguardar essa fidelidade exige discernimento prudente, o que pode significar desde estabelecer limites saudáveis no uso das redes sociais e do celular até fechar portas para interações cotidianas que, gradualmente, alimentem distrações emocionais e intromissões indevidas na dinâmica do casal. ​A fidelidade bíblica exige intencionalidade. Cuidar do próprio coração e proteger os afetos não é apenas evitar a queda, mas cultivar ativamente a exclusividade e a santidade no matrimônio.
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Otavio 1 month ago
Em A Teologia Afetuosa de Richard Sibbes (publicado em português pela Editora Fiel), Mark Dever descreve o rigoroso currículo da educação clássica que um estudante de teologia devia dominar em Cambridge na virada do século XVI para o XVII (o período puritano). ​Para se preparar para o ministério, o teólogo não estudava apenas teologia, mas precisava dominar as artes liberais do Trivium e do Quadrivium: ​Trívio (Artes da Linguagem e do Pensamento): ​Gramática: Domínio estrutural e filológico das línguas clássicas. ​Lógica (Dialética): Essencial para a análise analítica de textos e construção de argumentos teológicos (frequentemente com base no método de Petrus Ramus). ​Retórica: A arte do discurso e da persuasão, fundamental para a pregação expositiva e pública. ​Quadrivio e Filosofia: ​Filosofia Moral e Natural: Estudo da ética, física e da ordem da criação. ​Metafísica: Compreensão do ser, da substância e das categorias ontológicas. ​História e Matemática: Como disciplinas de apoio ao discernimento histórico e lógico. ​Somente após o domínio das artes liberais o estudante avançava para a Teologia Sistemática, Leitura Patrística, Exegese Bíblica, Dogmática e Casuística (Teologia Prática/Conselho de Consciência). Além das Línguas Clássicas e Bíblicas: Latim (língua de instrução, leitura e debate acadêmico), Grego (para o Novo Testamento e clássicos) e Hebraico (para o Antigo Testamento).
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Otavio 1 month ago
A atitude e as revelações expostas nos diários de Anthony Fauci, marcadas por incertezas, desacordos políticos e o uso do direito ao silêncio, ilustram as críticas epistemológicas do filósofo e teólogo cristão Gordon Clark (1903-1982) ao empirismo e ao método científico. ​ ​A epistemologia de Clark (conhecida como escrituralismo ou dogmatismo) defende que o empirismo e a ciência não podem produzir nem descobrir verdades absolutas. Ele argumentava que o método científico se baseia na Indução (inferir conclusões sobre o futuro a partir da observação de fenômenos do passado) e na falácia de "afirmar o consequente". Por ser uma metodologia que tateia conclusões indutivas, a ciência é intrinsecamente mutável e incapaz de fornecer certezas universais, sendo comum uma tese estabelecida em certo período ser derrubada anos depois. ​Os diários de Fauci revelam incertezas registradas sobre a origem do vírus (como a hipótese de vazamento de laboratório), enquanto publicamente se apresentava uma narrativa de autoridade e consenso sobre a origem natural do vírus. Essa hesitação comprova o ponto de Clark: a ciência empírica opera com hipóteses probabilísticas e parciais, não com certezas absolutas. ​Além disso, Clark afirmava que os dados científicos não falam por si mesmos; são sempre interpretados a partir de pressupostos, vieses, limitações dos sentidos e agendas pessoais ou políticas. Por isso, a ideia de uma ciência neutra e puramente objetiva é um mito. ​As notas mostram os bastidores da formulação de políticas públicas: divergências entre a equipe médica e a Casa Branca, pressões políticas, gestão de danos e narrativas propagadas pela mídia tradicional. O relato evidencia que o método científico, na prática, é inseparável de julgamentos humanos e governamentais. ​Para Clark, como os sentidos são falíveis, a indução é logicamente inválida para fornecer verdades absolutas. Usar a ciência empírica como autoridade suprema leva inevitavelmente ao ceticismo e ao autoritarismo epistemológico (transformar especialistas em detentores do dogma). As mais de 1.000 páginas dos diários de Fauci escancaram a fragilidade de tratar a autoridade científica como um substituto infalível da Verdade. ​Vale ressaltar que Clark não era negacionista, anti-vacina ou contrário ao avanço científico; ele o considerava um instrumento útil. Entretanto, sustentava que a ciência é ineficaz para fornecer a Verdade com "V" maiúsculo. Ele apenas nos alertou que a ciência empírica é contingente, indutiva, por vezes politicamente condicionada, desprovida de estabilidade lógica e carente da autoridade infalível que a sociedade moderna tenta lhe atribuir.
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Otavio 1 month ago
Todo homem… pode qualitativamente… distinguir… entre o que ele entende e o que ele não entende… Quando ele aposta sua vida no absurdo, ele faz o movimento em virtude do absurdo; e ele estará essencialmente enganado, caso se prove que o absurdo que ele escolheu não seja absurdo. [Atuar na ignorância não é atuar contra a razão; atuar contra a razão requer um claro entendimento de que duas proposições são contraditórias e uma crença voluntária em ambas] Então… um cristão… pode muito bem ter entendimento (de fato, ele deve tê-lo a fim de crer contra o entendimento). Kierkegaard — Post Scriptum, Conclusivo Não-Científico às Migalhas Filosóficas (Afsluttende uvidenskabelig Efterskrift, 1846).
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Otavio 1 month ago
​"Quase toda a soma de nossa sabedoria, que de fato deva ser julgada verdadeira e sólida sabedoria, consiste em duas partes: o conhecimento de Deus e o de nós mesmos." ​— João Calvino, Institutas (I.1.1)
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Otavio 1 month ago
O fiel ministro deve labutar para praticar o bem, de todas as formas possíveis. Embora não possa curar os enfermos, deverá procurar aliviar as tristezas e aumentar a felicidade entre todos aqueles com quem tiver de relacionar-se. Deve esforçar-se para ser conhecido como consolador, conselheiro, pacificador, ajudador e amigo de todos. Os homens devem conhecê-lo, não como alguém que os domina e que neles manda, mas como alguém que é servo "por amor a Jesus"(2Co 4.5). Livro: Meditações no Evangelho de Marcos. — J.C. Ryle.
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Otavio 1 month ago
Fui ver Spiderman: Brave New Day mais cedo no cinema e tinha um adolescente gritando a cada dez minutos do meu lado. É impressionante como as pessoas demonstram falta de educação no cinema. Elas falam alto, ficam no celular com o brilho alto, batem palma, saem para ir ao banheiro toda hora... Você paga para assistir a um filme e ficam te atrapalhando. Ir ao cinema hoje em dia é uma experiência insalubre. Pensei em perguntar ao rapaz que estava do meu lado se ele era autista. Porque se fosse eu ainda teria problemas. Então me contive. Não sei dizer se estou ficando velho e só se tratava de um adolescente sendo adolescente, se era um jovem com problemas intelectuais ou se era o comportamento de símio mesmo. Nunca saberei.
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Otavio 1 month ago
A arte maior na questão da vida espiritual é saber como dominar-se. Um homem precisa ter controle sobre si mesmo, deve falar consigo mesmo, exortar e examinar a si mesmo. Deve perguntar à sua alma: "Por que estás abatida?" "Como pode se abater assim?" Você como ele, precisa se voltar para si mesmo — repreendendo, censurando, condenando, exortando — e dizendo a si mesmo: "Espera em Deus", em vez de resmungar e murmurar dessa maneira infeliz e deprimida. E então deve prosseguir, lembrando-se de Deus: quem Ele é, o que Ele é, o que Ele tem feito, e o que tem prometido fazer. Tendo feito isso, termine com esta nota de triunfo: desafie a si mesmo, desafie os outros, desafie o diabo e o mundo todo, dizendo com este homem, "Eu ainda o louvarei. Ele é a salvação da minha face, e o meu Deus". Livro: Depressão Espiritual, Martyn Lloyd-Jones – Editora PES.
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Otavio 1 month ago
É isso que eu ouço antes de dormir.
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Otavio 1 month ago
Ótima homenagem ao grande John F. MacArthur.
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Otavio 1 month ago
Sobre A Odisseia de Christopher Nolan ​Há um tempo, os progressistas estão modificando os clássicos no cinema. Mas fazem isso para que esses clássicos reimaginados se tornem palatáveis, ou melhor, inteligíveis, para o público moderno. É justamente o que Christopher Nolan faz com seu novo filme. ​Muitos afirmam que o filme é woke por causa do anacronismo nos personagens interpretados por atores de etnias diferentes da dos personagens da obra de Homero. ​Entretanto, essa é uma crítica superficial se comparada ao desenvolvimento dos personagens no filme. A Atena de Zendaya é apenas uma alucinação da cabeça de Odisseu. Penélope fica lembrando seu filho, Telêmaco, de que ele é apenas uma criança e que não duraria muito caso assumisse o trono. Circe transforma os soldados de Odisseu em porcos, insinuando que eles são estupr4d0res de mulheres, sendo que os caras foram lá só para almoçar um ensopado de carne e ir embora. Os deuses masculinos não possuem rosto: são representados por um trovão e por um maremoto. ​E o Odisseu? O guerreiro astuto de Homero é narrado como um homem que só queria voltar para casa como um guerreiro honrado, cujo objetivo era apenas recuperar o trono de Ítaca. Já o Odisseu de Nolan é traumatizado pela guerra: ressentido pela culpa do que os gregos fizeram em Tróia, amargurado pelos horrores que não pôde evitar e abalado emocionalmente pelos soldados que perdeu na longa viagem de volta para casa. ​Uma guerra é caracterizada por dois lados lutando praticamente de igual para igual, e isso me faz questionar: realmente há uma guerra cultural? No último filme do 007, a feminista radical Phoebe Waller-Bridge é uma das roteiristas e simplesmente torna o James Bond de Daniel Craig o mais distante possível do James Bond de Ian Fleming. O personagem mais ligado ao dever, à proteção de seu país e à luta contra ameaças globais, o mais famoso espião da história, que reflete a sociedade britânica do pós-guerra, é transformado em um agente secreto em fim de carreira, disposto a se sacrificar, gerando, assim, mais uma mãe solteira em Londres. ​Me pergunto: de qual lado da guerra estão os estúdios? Os maiores estúdios de cinema da atualidade (Warner Bros. Pictures, Paramount Pictures, Walt Disney Pictures, Universal Pictures, Amazon MGM Studios e Sony Pictures) são todos progressistas que produzem filmes com ESG. Todos continuam produzindo obras woke aqui e ali, umas mais explícitas, outras mais sutis. ​E onde estão os estúdios de cinema que não fazem parte do jogo? Cadê as grandes produtoras e distribuidoras produzindo blockbusters de viés conservador? Não tem. O que nos resta é a Angel Studios lançando episódios de série no cinema que quebram o 2º mandamento e as produtoras independentes que produzem filmes arminianos. É inegável que esse filme é do Nolan, a visão dele sobre A Odisseia. Outros diretores já fizeram filmes mais fiéis à obra de Homero, mas não é o caso aqui. Então, praticamente não é um filme sobre A Odisseia, já que a obra original trata-se de um mito que moldou a cultura de um povo. ​O problema real é que diretores que antes ignoravam a cultura woke e os "padrões de qualidade" do Academy Awards agora estão se vendendo por uma estatueta de ouro. Provavelmente não restará nenhum, já que todos os grandes lançamentos dos últimos dez anos possuem ESG, inclusive Zack Snyder colocou um beijo gay na Edição Definitiva de Batman vs Superman: A Origem da Justiça. ​A Odisseia de Nolan é só mais uma engrenagem da agenda deles.
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Otavio 1 month ago
— Como era o canto das sereias? Odisseu: Era tudo aquilo que você um dia quis ser e, depois, tudo aquilo que passou a desejar nunca ter desejado. Era como uma coceira deliciosa: você quer coçar, mas percebe que ela está por baixo da pele, num lugar que não consegue alcançar. Então, o que parecia prazeroso se torna insuportável. O canto dizia que aquilo que você mais deseja é justamente o que não pode ter e que aquilo que mais deseja, mas não pode ter, é o que um dia já teve e perdeu. Era uma canção feita de todas as promessas que eu não consegui cumprir. E dizia que, no fundo, eu realmente não queria voltar para casa. image
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Otavio 1 month ago
"Por que Deus permite o sofrimento?" é uma pergunta imprecisa é mal formulada. Seria melhor nos perguntarmos: Qual a razão do sofrimento? (Romanos 5:3-5).
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Otavio 1 month ago
O peso do lar e a fúria dos deuses sob as lentes de Nolan ​Na vastidão de um mar que ruge em IMAX, Christopher Nolan filma não apenas a jornada física de um homem, mas o lento naufrágio de sua alma sob o peso da soberba. A Odisseia inicia-se sob a penumbra da decadência de Ítaca, onde pretendentes parasitários, liderados por um Antino (Robert Pattinson) cujos olhos brilham com a cupidez do trono e uma obsessão doentia por Penélope, profanam o palácio como abutres à espreita. É nesse cenário de desesperança que vemos uma Penélope (Anne Hathaway, em atuação dilacerante) cuja fidelidade já não é um porto seguro, mas uma âncora de melancolia, dividindo a tela com um Telêmaco (Tom Holland) que tateia a própria covardia à espera de um milagre paterno. ​Nolan, fiel à sua obsessão pelo tempo e pela culpa, transforma Odisseu (Matt Damon, dotado de uma complexidade trágica) em um Prometeu moderno. O herói que brada que "nada ficará em seu caminho" descobre, na mudez dos corpos de sua tripulação deixados sem sepultura, que o preço do desdém aos deuses é o isolamento. Cada tempestade de Poseidon, cada churrasco sacrílego do gado do Sol e o confronto sonoro com Polifemo não são apenas demonstrações de opulência técnica e megalomania orçamentária dos produtores, são a materialização acústica da fúria divina contra o orgulho mortal. ​Há, todavia, uma nobreza quase anacrônica no protagonista de Damon. Ao poupá-lo dos leitos de Calipso (Charlize Theron, fria em seu cárcere de solidão) e de Circe, Nolan constrói um herói de fidelidade inabalável, cujo clímax dramático repousa nos sussurros íntimos com sua rainha, sob o disfarce de um mendigo. ​Contudo, a grandiosidade do épico tropeça em suas próprias concessões ao contemporâneo e em escolhas infelizes de elenco. Se Lupita Nyong’o entrega uma performance digna como as gêmeas Helena e Clitemnestra, o mesmo não se pode dizer das aparições quase caricatas de Jon Bernthal (um Frank Castle desprovido de nuances) e de Ellen Page (cuja presença evoca um anacronismo teatral incômodo). Mais grave é o tratamento conferido a Circe. Longe da sedutora divindade homérica, a personagem surge como uma concessão protocolar às agendas de Hollywood, proferindo discursos de empoderamento didático enquanto transforma guerreiros em porcos para o deleite ideológico da plateia moderna. Nolan, seduzido pelo brilho do Oscar, não hesita em flertar com a provocação gratuita ao expor a nudez de um cadáver na ilha da feiticeira, um sobressalto desnecessário para o espectador conservador. ​Ainda assim, quando o silêncio do drama dá lugar ao ferro e ao sangue, Nolan recupera sua maestria. O confronto final entre pai, filho e os pretendentes é uma coreografia de violência visceral, um espetáculo de tirar o fôlego capaz de resgatar o espectador mais disperso do torpor das telas contemporâneas. ​A Odisseia de Nolan é, em última análise, um monumento imperfeito. Um filme monumental que, apesar de suas falcatruas narrativas e concessões ao seu tempo, ecoa a eternidade do mito com a força de uma tempestade em alto-mar. ​Nota: ★★★★☆ image
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Otavio 1 month ago
Sou um Escrituralista com uma péssima memória.