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pollyanna 1 year ago
Era uma vez uma coletora de lágrimas que passava o dia inteiro coletando as águas caídas dos olhos de quem chorava, fosse de tristeza ou alegria. Ela pegava seus baldes cheios de emoção e regava as florestas do mundo. Olhava de cima, orgulhosa, contemplando o trabalho que fazia. Nunca tocava aquelas águas e nenhuma lágrima dela saía. As plantas cresciam belas, mas, de alguma forma, limitadas. Ela começou a se esforçar para provocar mais choro a cada dia, mas a verdade é que, em algum momento, as plantas continuavam parando de se desenvolver, como ela percebia. Intrigada com tudo isso, sem saber o que fazer, girando de um lado pro outro, do alto de sua vigília, a coletora caiu e, pela primeira vez, sentiu com todo o corpo o chão. Pela primeira vez sentiu as águas rolarem em seu rosto. Caíram suas primeiras lágrimas. Ao mesmo tempo, águas começaram a cair do céu que se misturavam com as suas. Ela se uniu às flores e chorou toda tristeza e alegria de sentir. Agora as flores cresciam e se desenvolviam tanto que ela não mais as olhava por cima. Deixou de ser coletora de lágrimas e agora só vivia. -- este é o segundo conto de uma série de pequenos contos sem revisão que escrevi em 2020
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pollyanna 1 year ago
Era uma vez uma semente que caíra do bolso de uma menina que passeava pela floresta. Passou por dias frios, chuvosos, foi pisoteada e afundou na terra. O que ninguém sabia era que a semente soterrada naquele exato lugar se transformaria em gente. No instante em que parecia tudo perdido, da morte iminente, brotou a menina, saindo da terra como se fosse planta. A menina vestia desde sempre um chapéu feito de folhas. Pensava que tinha de ficar sempre assim, cobrir sempre sua cabeça com aquele acessório feito de planta. Tinha medo de mudar, perder o encanto e voltar a se tornar semente. Um dia encontrou um lobo que contou sua história e era também mágica. Ela nunca se encontrara com ninguém que a entendesse tanto. O lobo parecia saber de tudo o que existe e ela passou a segui-lo. Depois de um tempo o lobo criou uma armadilha para a menina. Ela caiu num buraco fundo e escuro e precisava ficar lá sozinha. O lobo todo dia chegava lá em cima e perguntava como ela estava. Primeiro ela não entendia o que ele queria e ficava furiosa. Com o passar dos dias ela começou a pensar que o lobo a estava ajudando e ela só não compreendia ainda. Depois dessa resignação o lobo não voltou mais. Desesperada, ela não via saída. Chorava o tempo todo. Passou dias sem comer e beber nada, já que o lobo não levara mais comida. Quase sem forças, a menina levantou-se e, sabendo que era seu fim, tirou o chapéu, em uma mistura de fúria com desistência. Quando o fez, seus cabelos vivos expulsaram uma chave de brilho intenso. A luz iluminou o espaço e à sua frente ela avistou uma porta. A fechadura tinha justo a forma da chave. Ela abriu. Voltou para o mundo e se viu semente. --- escrevi em abril de 2020, em um encontro online com um amigo querido, inspirada na imagem de uma carta. eu escrevi 18 pequenos contos nesse estilo e agora fiquei com vontade de compartilhar aqui. vou ver como me sinto.
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pollyanna 1 year ago
I wrote a little book with some cards like an oracle. If you want to try it, just watch the video with the cards and choose one that catches your attention. you can tell me in the comments or in private and I'll DM you with the text. (I wrote that in Portuguese, so I'll Google translate the card checking if it's similar to what I wrote)
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pollyanna 1 year ago
aproveita pra sentir o que você tá sentindo agora porque daqui a pouco vai passar. sente tudo, sem medo de ficar sem nada, porque o que fica é o vazio que abre espaço para sentir e se espantar com o inédito.