Quinta-feira
de Ayalah Berg
O travesseiro gelado,
dos dois lados.
A segunda vela se apaga,
os gritos dos corvos
crescem na penumbra.
Vou dormir, é tarde para sonhar...
A cortina, insuportavelmente branca,
na janela escura.
Silêncio.
Outro dia eu queria terminar de ler sobre como um buraco negro se comporta quando, devido ao colapso gravitacional, seu diâmetro se torna menor que o horizonte de eventos. Enquanto olhava os modelos astrofísicos, eu percebia um toque de erotismo nas palavras, e estava convencida de que Stephen Hawking não escrevia sobre física, mas sobre sexo – não sobre a triste copulação humana, mas sobre...
Ah, foda-se
Talvez seja isso. Em vez de me preocupar com a saída, preciso entender que a vida é uma encruzilhada onde estamos agora. Assim, o labirinto se desvanece — ele só existe na nossa mente. Na verdade, há apenas uma escolha simples: para onde ir daqui.
Todas as formas que os deuses assumem no mundo existem para que possamos enxergá-los, mesmo com nossos olhos imperfeitos. O sacrifício que traz redenção transcende o tempo, como uma verdade eterna que paira pelo universo. É por meio do meu ato de entrega que os deuses conseguem inspirar mudanças grandiosas.
A felicidade não conhece o amanhã nem o ontem;
não se prende ao passado, nem sonha com o futuro.
Ela vive apenas no presente —
e esse presente não é um dia,
mas um simples instante.
De onde surge a criatividade?
Na minha experiência: drogas, álcool e caos.
Em todo caso: ordem, uniformidade, hábito e conformidade têm, desde o início dos tempos, criado apenas uma coisa:
Sofrimento.
– John Mcafee