A cidade onde as pessoas vivem embaixo da Terra por causa do calor
Andar a pé no deserto perto de Coober Pedy pode ser perigoso. O terreno é salpicado de poços de mineração abandonados
Getty Images/BBC
Na longa estrada rumo ao centro da Austrália, 848 km ao norte das planícies costeiras de Adelaide, surgem enigmáticas pirâmides de areia.
Em torno delas, o cenário é totalmente desolado – uma extensão sem fim de poeira rosa-salmão, ocasionalmente salpicada de teimosos arbustos.
No entanto, à medida que você avança pela rodovia, surgem outras construções misteriosas similares – montes de terra clara, espalhados aleatoriamente como monumentos esquecidos há muito tempo. E, de vez em quando, tubos brancos se elevam do solo ao lado desses montes.
Estes são os primeiros sinais de Coober Pedy, uma cidade de mineradores de opala com cerca de 2,5 mil habitantes. Muitos dos pequenos picos da região são resíduos de solo gerados após décadas de mineração, mas também são sinais de outra característica do local: as moradias subterrâneas.
Neste canto do mundo, 60% da população vive em casas construídas nas rochas de arenito e siltito ricas em ferro da região. Em alguns locais, os únicos sinais de moradia são os poços de ventilação que se erguem do chão e o excesso de solo acumulado perto das entradas das casas.
No inverno, este estilo de vida pode parecer apenas excêntrico. Mas, no verão, Coober Pedy – “homem branco em um buraco”, em tradução livre de uma expressão aborígene australiana – não requer explicações: o local atinge 52°C, uma temperatura tão alta que faz com que os pássaros caiam do céu e aparelhos eletrônicos precisem ser guardados no refrigerador.
E, nos últimos anos, este costume parece ter sido mais profético que nunca.
Enquanto intensas ondas de calor prosseguem em algumas regiões, com temperaturas que nem os cactos conseguem suportar, e incêndios florestais dizimam grandes áreas do mundo, o que podemos aprender com os moradores de Coober Pedy?
Longa história
Coober Pedy não é o primeiro, nem o maior assentamento subterrâneo do mundo.
As pessoas se refugiam embaixo da terra para enfrentar climas inóspitos há milhares de anos – desde ancestrais dos humanos que deixaram suas ferramentas em uma caverna na África do Sul há dois milhões de anos, até os neandertais que criaram pilhas inexplicáveis de estalagmites em uma gruta na França na idade do gelo, 176 mil anos atrás.
Até os chimpanzés já foram observados se refrescando em cavernas, para se proteger do extremo calor durante o dia no sudeste do Senegal.
Outro exemplo é a Capadócia, uma região antiga no centro da Turquia. Ela fica em um planalto árido e é famosa pela sua notável geologia, quase utópica, e seu cenário de cumes, chaminés e casas esculpidos pelo homem e pela natureza em rochas vulcânicas, como em um reino de conto de fadas.
Mas espetacular mesmo é o que está escondido abaixo disso. E a história de como isso foi descoberto é muito boa. Segundo a crença popular, tudo começou com o desaparecimento das galinhas de um de seus moradores.
Em 1963, um homem que fazia reformas no porão de sua casa notou que suas aves estavam desaparecendo por um buraco que ele havia aberto acidentalmente.
Ao derrubar a parede, ele descobriu uma passagem secreta – um íngreme caminho subterrâneo que levava a um labirinto de nichos e outros corredores. Era uma das muitas entradas para a cidade perdida de Derinkuyu.
Derinkuyu é apenas uma das centenas de moradias em cavernas entre as diversas cidades subterrâneas da região. Acredita-se que ela tenha sido construída perto do século 8° a.C.
A cidade foi habitada de forma quase constante por milênios, com seus próprios poços de ventilação e de água, estábulos, igrejas, armazéns e uma ampla rede de casas subterrâneas. E servia também de abrigo de emergência para até 20 mil pessoas, em caso de invasão.
Como em Coober Pedy, as moradias subterrâneas ajudavam os habitantes da região a enfrentar o clima continental, que alterna entre invernos frios com neve e verões quentes e secos. No lado externo, a temperatura flutua de vários graus abaixo de zero até mais de 30 °C, enquanto, embaixo da terra, ela fica estável em 13 °C.
Mesmo nos dias de hoje, as cavernas construídas por seres humanos na região são famosas pelas suas capacidades de refrigeração passiva – uma técnica de construção que envolve o uso de opções de design para reduzir o aumento e a perda de calor sem o uso de energia.
As antigas galerias e passagens da Capadócia abrigam hoje milhares de toneladas de batatas, limões, repolhos e outros produtos que precisariam ser refrigerados se fossem armazenados em outros locais. A demanda popular cresceu tanto que novas cavernas estão sendo construídas na região.
A cidade subterrânea de Derinkuyu, na Capadócia (Turquia), foi abandonada em 1923. Ele ficou totalmente esquecida até ser redescoberta, nos anos 1960
Getty Images/BBC
Solução eficaz
Mais à frente, na estrada para Coober Pedy, fica o centro da cidade.
À primeira vista, ela pode ser confundida com um assentamento comum da região desértica que compõe o chamado outback australiano. As ruas são cor-de-rosa devido à poeira e existem restaurantes, bares, supermercados e postos de gasolina.
No alto de uma colina, a única árvore da cidade – na verdade, uma escultura feita de metal – observa o panorama.
Na superfície, Coober Pedy é assustadoramente vazia. As casas são bastante espaçadas entre si e a impressão é de que algo realmente parece estar errado. Mas, embaixo do solo, tudo se explica.
Alguns dos “subterrâneos” de Coober Pedy podem ser visitados através dessas casas. Elas têm aparência normal, mas suas passagens subterrâneas se revelam gradualmente à medida que entramos. Parece que estamos atravessando um guarda-roupa para sair no mundo fictício de Nárnia (de As Crônicas de Nárnia, de C.S.Lewis).
Outras passagens são mais óbvias. Em uma área de camping chamada Riba’s, as pessoas podem montar suas tendas em nichos vários metros abaixo da superfície. A entrada é através de um túnel escuro.
Em Coober Pedy, as construções subterrâneas precisam ficar a pelo menos quatro metros de profundidade, para evitar que o teto desabe. Embaixo daquele enorme volume de rocha, a temperatura é sempre agradável: 23 °C.
As pessoas que moram acima do solo precisam suportar verões extremamente quentes e noites frias de inverno, com temperaturas que costumam cair até 2-3 °C. Mas as casas subterrâneas mantêm a temperatura ambiente perfeita, 24 horas por dia, o ano inteiro.
Além do conforto, outra importante vantagem de morar embaixo da terra é a economia. Coober Pedy gera toda a eletricidade que consome – 70% dela, de origem eólica e solar. Mas ligar o ar-condicionado, muitas vezes, é caro e impraticável.
Em Coober Pedy, a rocha é tão mole que pode ser raspada com a unha.
Alamy
“Para viver acima do solo, você paga uma verdadeira fortuna pelo aquecimento e refrigeração, já que, muitas vezes, faz mais de 50°C no verão”, afirma Jason Wright, o morador local que administra o Riba’s.
Por outro lado, muitas casas subterrâneas em Coober Pedy são relativamente baratas. Em um recente leilão, o preço médio das casas de três quartos foi de cerca de 40 mil dólares australianos (cerca de R$ 126 mil).
Muitas dessas propriedades eram extremamente básicas ou precisavam de reforma, mas existe uma grande diferença entre esses valores e os praticados na cidade grande mais próxima, Adelaide. Lá, o preço médio das residências é de 700 mil dólares australianos (cerca de R$ 2,25 milhões).
E as casas subterrâneas oferecem outros benefícios. Um deles é que não há insetos.
“Quando você chega à porta, as moscas saem das suas costas, elas não querem entrar no escuro e no frio”, conta Wright. E também não há poluição sonora e luminosa embaixo da terra.
Curiosamente, o estilo de vida subterrâneo também pode oferecer alguma proteção contra terremotos. Wright descreve que os tremores de terra na região produzem um ruído vibrante que aumenta e passa através do subterrâneo até o outro lado.
“Tivemos dois [terremotos] desde que me mudei para cá e nunca sequer me abalei”, ele conta. Mas o nível de segurança das estruturas subterrâneas durante atividades sísmicas depende inteiramente do seu tamanho, complexidade e profundidade.
Rocha da região explica praticidade única das casas subterrâneas de Coober Pedy
Getty Images/BBC
Configuração ideal
A questão é se as casas subterrâneas poderiam ajudar as pessoas a combater os efeitos das mudanças climáticas em outros lugares do planeta. E por que elas são tão poucas?
Existem diversas razões que explicam a praticidade única da construção de subterrâneos em Coober Pedy. A primeira são as rochas da região.
“Elas são muito moles, você pode raspá-las com um canivete ou com a unha”, afirma Barry Lewis, funcionário do centro de informações turísticas da cidade.
Nos anos 1960 e 70, os moradores de Coober Pedy ampliaram suas casas da mesma forma que criaram as minas de opala, usando pás, picaretas e explosivos. Algumas delas não exigiram muito trabalho para serem escavadas, já que muitos moradores usaram poços de minas abandonados como pontos de partida.
Mas, hoje em dia, os túneis costumam ser escavados com equipamento industrial.
“Uma boa máquina de perfuração de túneis pode retirar cerca de seis metros cúbicos de rocha por hora, de forma que você pode ter uma casa subterrânea construída em menos de um mês”, explica Wright.
Na Capadócia, existem muitas casas escavadas na rocha vulcânica. Elas não são mais usadas como moradia
Getty Images/BBC
Mas ainda é possível escavar manualmente. Por isso, quando os moradores precisam de mais espaço, às vezes eles simplesmente começam a cavar. E, como se trata de uma área de mineração de opala, não é raro que um projeto de reforma acabe dando lucros.
Já houve um homem que encontrou uma gema grande saindo da parede enquanto instalava um chuveiro e, durante uma obra de ampliação, um hotel local descobriu opalas no valor de 1,5 milhão de dólares australianos (cerca de R$ 4,8 milhões).
O arenito também é estruturalmente estável sem precisar de apoios. Por isso, é possível construir salões literalmente cavernosos com pé-direito alto, em qualquer forma que você quiser, sem acrescentar materiais.
Na verdade, a construção de túneis em Coober Pedy é tão simples que muitos moradores têm casas de luxo sofisticadas, com piscinas subterrâneas, salões de jogos, grandes banheiros e salas de estar de alto padrão.
Um morador local chegou a descrever sua casa subterrânea “como um castelo”, com 50 mil tijolos aparentes e portas em arco em todos os quartos.
“Temos alguns subterrâneos surpreendentes por aqui”, afirma Wright. Ele explica que os moradores são notoriamente reservados – outra possível consequência de viver embaixo da terra – e você só consegue descobrir algo sobre eles quando é convidado para jantar.
Questão de umidade
Os benefícios de Cooper Pedy não seriam os mesmos em outros lugares parecidos.
Das muitas moradias em rochas habitadas por seres humanos, a maioria fica em locais secos. Elas incluem desde as torres e paredes construídas nos rochedos de Mesa Verde, no Colorado (Estados Unidos), habitadas por mais de 700 anos pelo povo conhecido como ancestral pueblo, até os elaborados templos, túmulos e palácios escavados no arenito rosa de Petra, na Jordânia.
Atualmente, uma das últimas aldeias cortadas na rocha e ainda habitadas do mundo é Kandovan, aos pés do monte Sahand, no Irã – um vale marcado por estranhas cavernas pontiagudas que foram escavadas e transformadas em casas, como uma colônia de cupinzeiros. A região recebe apenas 11 mm de chuva por mês, em média, durante todo o verão.
Mas construir embaixo da terra em regiões mais úmidas é claramente mais complicado.
O metrô de Londres é um exemplo. Para impermeabilizar seus túneis subterrâneos originais, construídos no século 19, eles foram revestidos com diversas camadas de tijolos e uma generosa camada de betume.
Atualmente, são utilizados métodos mais modernos. Mas, mesmo com essas precauções, ainda é comum a incidência de mofo preto nas galerias.
Coober Pedy é uma cidade incomum no sul da Austrália, onde tudo é subterrâneo, de igrejas a locais de acampamento
Getty Images/BBC
O mesmo problema afeta fundações de edifícios, porões e estacionamentos subterrâneos em regiões com forte incidência de chuvas em todo o mundo.
Existem duas razões principais para o fenômeno. Uma é a falta de ventilação, que pode fazer com que a umidade da cozinha, dos banheiros e da própria respiração das pessoas se condense nas frias paredes das cavernas. O outro motivo é a água subterrânea, se as construções estiverem perto do lençol freático.
As cavernas de Hazan, em Israel, são uma complexa rede de esconderijos subterrâneos construídos pelos judeus para escapar da perseguição dos romanos no século 2 d.C.. Ela inclui cozinhas, salões, reservatórios de água e um mausoléu de urnas funerárias.
A apenas 66 metros de distância da entrada da caverna, a temperatura nos túneis cai significativamente em comparação com o lado externo. Mas a umidade também é o dobro dos 40% verificados na entrada da caverna.
Um dos motivos pode ser o fato de que o sistema de cavernas foi construído em rocha porosa, em uma área de planície. Nestas condições, a tendência é de que o volume de água subterrânea seja maior. E seus corredores estreitos e entradas limitadas fazem com que haja pouco fluxo de ar.
Mas, em Coober Pedy, construída sobre 50 metros de arenito poroso, as condições são áridas até nos subterrâneos.
“Aqui é muito, muito seco”, afirma Wright.
Poços de ventilação garantem o fornecimento adequado de oxigênio e permitem que a umidade das atividades internas escape do subterrâneo. Mas eles, muitas vezes, são simples canos que se estendem através do teto.
Esses bunkers à prova de calor trazem, entretanto, um fator de preocupação. Lewis mora atualmente na superfície, em um parque para trailers. Sua casa subterrânea ficava embaixo do mesmo ponto onde ele mora hoje, mas ela simplesmente desabou.
“Não acontece com muita frequência”, segundo ele. “Ela estava em um local ruim.”
Também não é incomum que os moradores derrubem acidentalmente uma parede, atravessando até a casa do vizinho.
Apesar do contratempo, Lewis sente falta da vida nos subterrâneos. E Wright também recomenda o ambiente embaixo da terra para pessoas que sofrem em locais com temperaturas absurdamente altas. Para ele, “é moleza quando você sente aquele calor”.
E se o mundo continuar esquentando, é possível, sim, que, num futuro próximo, comecem a pipocar pirâmides de areia como as de Coober Pedy em outros lugares do mundo.
Sexta-feira promete mais calor pelo Brasil; veja a previsão para o país e para sua região
/https://s04.video.glbimg.com/x720/14208091.jpg)
/https://s04.video.glbimg.com/x720/14208091.jpg)
G1
A cidade onde as pessoas vivem embaixo da Terra por causa do calor | G1
Em cidade incomum no deserto australiano, tudo é subterrâneo – de igrejas a área de acampamentos. Com aquecimento global pela frente, devería...
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/Q/y/I7humATQCAcguiIFvzAw/globo-canal-5-20251225-2000-frame-62275.jpeg)
João Pessoa registra três casos de violência contra mulher no Natal; uma vítima morreu e outras duas sofreram tentativas de feminicídio
Divulgação/Polícia Militar
Três crimes de violência contra a mulher, entre feminicídios consumados e tentados, foram registrados nesta quinta-feira (25), feriado de Natal. As ocorrências aconteceram na Zona Sul de João Pessoa.
O feminicídio ocorreu durante a madrugada no Engenho Velho, bairro de Gramame. Marlucia Barbalho Soares, de 60 anos, foi morta com cinco golpes de faca que atingiram o pescoço, tórax e braços. Segundo a Polícia Civil, o autor do crime seria o companheiro da vítima. Marlucia não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Após o ataque, o suspeito tentou tirar a própria vida e foi socorrido com ferimentos para o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa. Ele permanece internado sob custódia policial.
No segundo registro do dia, uma jovem de 22 anos, grávida de cinco meses de gêmeos, sofreu uma tentativa de feminicídio por arma branca. Inicialmente, ela foi levada ao Ortotrauma de Mangabeira (Trauminha), mas, devido à gravidade das lesões, precisou ser transferida pelo SAMU para o Hospital de Trauma.
A vítima passou por procedimentos de emergência e segue internada em estado grave. O suspeito, que tinha um relacionamento com a jovem, foi preso em flagrante.
Ainda na manhã desta quinta, um homem de 39 anos foi preso após agredir a ex-esposa, no bairro João Paulo II. A vítima sofreu fraturas no rosto e na cabeça. De acordo com as investigações, ela já possuía uma medida protetiva contra o agressor.
A mulher foi encaminhada ao Hospital de Emergência e Trauma, onde recebeu atendimento médico e, após período de observação, recebeu alta.
Os números de feminicídio na Paraíba
O número de feminicídios subiu para 26 casos, na Paraíba, entre os meses de janeiro e outubro de 2025. O número já superava o total de casos registrados em todo o ano de 2024.
De janeiro a outubro de 2025, a Paraíba registrou os 26 feminicídios em diferentes cidades, de acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Foram 3 feminicídios registrados no mês de janeiro, seis no mês de fevereiro, mais três em março, 2 em abril, 3 em maio, 3 em junho, nenhum em julho, 1 em agosto, 3 em setembro e 2 em outubro.
Os casos registrados aconteceram em Cajazeiras, Coremas, Araçagi, Cacimba de Dentro, Campina Grande, Conde, Cuité, Itaporanga, João Pessoa, Mulungu, Patos, Pilões, Pombal, Santa Rita, Solânea, Nova Floresta, Marizópolis, Juru, Lagoa Seca e Triunfo.
Em 2024, 25 mulheres foram assassinadas na Paraíba, simplesmente, por serem mulheres. Cerca de duas mulheres foram vítimas de feminicídio por mês no estado.
Como denunciar
Denúncias de estupros, tentativas de feminicídios, feminicídios e outros tipos de violência contra a mulher podem ser feitas por meio de três telefones:
197 (Disque Denúncia da Polícia Civil)
180 (Central de Atendimento à Mulher)
190 (Disque Denúncia da Polícia Militar - em casos de emergência)
Lei do Feminicídio completa 10 anos, destacando avanços na proteção e conscientização
Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2024/m/1/oypUkuQf6II4Zuu8J7Mw/whatsapp-image-2024-02-25-at-15.57.54-2-.jpeg)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/T/Y/jt1yYCTU6kw33dWrwujQ/rj2-calor-natal.01-frame-5069.jpeg)
Delegacia de Polícia de Garanhuns investiga o crime
Reprodução/Google Street View
Um homem foi assassinado dentro de uma ambulância enquanto estava sendo socorrido em Canhotinho, no Agreste de Pernambuco. O crime aconteceu na noite da quarta-feira (24), véspera de natal. O nome e a idade da vítima não foram informados.
Por meio de nota, a Polícia Civil disse que o crime foi registrado como homicídio consumado somente na quinta-feira (25), através da Delegacia de Garanhuns, também no Agreste do estado. A vítima foi encontrada com perfurações de arma de fogo dentro da ambulância.
✅ Receba as notícias do g1 Caruaru e região no seu WhatsApp
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Ao g1, a polícia informou que a vítima havia sido socorrida pela equipe médica com perfurações de arma branca e estava sendo levada até um hospital. Duas pessoas em uma motocicleta abordaram a ambulância e um deles executou o homem em cima da maca.
“As investigações foram iniciadas e seguirão até a elucidação dos fatos”, reforçou a polícia.
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/F/6/UvAKiXQAesBni2jVEZnQ/design-sem-nome-2025-11-18t173802.513.png)
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/p/U/NQo77ZQaOKcQ5j2QFVeQ/img-facebook.jpg)
Celebração eucarística na Comunidade Menino Jesus no Mapiri, em Santarém-PA
Pascom Menino Jesus
Encerra nesta quinta-feira (25) a Festividade do Menino Jesus 2025, realizada pela Comunidade Menino Jesus, no bairro Mapiri, em Santarém, oeste do Pará. A programação do último dia contempla procissão, celebração eucarística, seresta e show de prêmios.
✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp
Iniciada no último dia 20 de dezembro, a festividades é marcada por fé, tradição e participação da comunidade nas celebrações religiosas, atividades culturais, musicais e sociais, fortalecendo a espiritualidade, a convivência comunitária e a valorização da cultura local.
Com o tema “Menino Jesus, Fonte de Esperança Jubilar”, a festividade contou com uma intensa agenda de celebrações eucarísticas, novenas, procissões, batizados, apresentações musicais, shows de calouros e atrações regionais, envolvendo diversas pastorais, comunidades, movimentos e fiéis da Arquidiocese de Santarém.
O ponto alto da festividade acontece nesta quarta-feira, com a Procissão de Encerramento, momento central de fé e devoção, que simboliza a culminância espiritual da festividade.
A procissão tem início às 18h, com saída da Igreja Menino Jesus, percorrendo ruas do bairro Mapiri, reunindo fiéis em um forte testemunho público de fé cristã.
Ao final do percurso, acontece a celebração eucarística de encerramento, presidida por Dom Irineu Roman, Arcebispo da Arquidiocese de Santarém. A missa marca oficialmente o encerramento da Festividade do Menino Jesus 2025, reforçando a mensagem de Esperança, Comunhão e renovação da Fé Cristã.
Programação social e cultural
Após a celebração, a comunidade participa da Seresta com Avelino, seguida da 2ª Noite do Show de Prêmios, atividades que integram o caráter social e comunitário da festividade, promovendo confraternização, lazer e fortalecimento dos laços entre os moradores.
Importância da festividade
A Festividade do Menino Jesus é uma das mais tradicionais de Santarém, reunindo fé, cultura popular e ação pastoral. Além do aspecto religioso, o evento cumpre um importante papel social, promovendo integração comunitária, solidariedade e participação popular.
VÍDEOS: Mais vistos do g1 Santarém e Região
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/c/V/BMmjGzSYiBcTU0YcHJYw/menino-jesus1.jpg)
Simone cria site oficial para conectar ouvintes do álbum '25 de dezembro', lançado há 30 anos
Willy Biondani / Divulgação
♫ ANÁLISE
♬ Então é Natal e Simone – cantora nascida em Salvador (BA) em 25 de dezembro de 1949 – faz 76 anos às voltas com ação de marketing que revitaliza o álbum 25 de dezembro, lançado em 1995 e desde então alvo de amores e ódios. Hoje mais amores do que ódios. Sim, o álbum mais vendido da carreira da banda, título pioneiro na então escassa discografia natalina brasileira, chega aos 30 anos com mais glórias do que hate.
A cantora e a Universal Music – gravadora que encampou em 1999 a Philips / Polygram, companhia fonográfica que editou o álbum 25 de dezembro – se uniram em ação que envolveu a criação de site (www.entaooquevocefez.com.br) para coletar histórias sobre o disco e conectar os ouvintes desse trabalho tão controvertido.
Ainda alvo de memes, o álbum 25 de dezembro tem sido reavaliado nos últimos anos e, sob a benção da perspectiva do tempo, tem tido exaltados os méritos até então ofuscados por preconceitos. Mas o que ninguém conta e Simone tampouco fala em entrevistas é a razão do hate iniciado em 1995.
O que aconteceu é que Marcos Maynard – executivo então no comando da gravadora Polygram e conhecido pelo marketing agressivo com que promove artistas e discos sob sua égide – orquestrou série de ações de marketing e publicidade pautadas pelo excesso para divulgar o álbum de Simone.
Traduzindo em bom português: a gravadora quis empurrar o disco natalino de Simone goela abaixo do povo brasileiro. Em dezembro de 1995, era difícil não se deparar com o álbum de alguma forma, seja ligando o rádio em casa ou andando nas ruas. Se você entrasse em qualquer loja de disco, a música tocada era Então é Natal, faixa eleita para promover o álbum 25 de dezembro.
Então é Natal é versão em português de Cláudio Rabello para Happy Xmas (War is over), pacifista canção natalina composta, gravada e lançada em 1971 por John Lennon (1940 – 1980) e Yoko Ono. A música carregava o espírito de Natal com mensagem de paz e união entre os povos. Como a canção ficou massificada na versão de Simone, começou o hate quando essa palavra ainda nem existia no dicionário do então incipiente mundo digital.
Para piorar a situação, a divulgação ostensiva na mídia dos resultados comerciais do disco contribuiu para a sensação de que o marketing em torno do álbum 25 de dezembro era da mesma dimensão do sucesso do disco. Essa necessidade de afirmação na mídia do sucesso de 25 de dezembro fez com que parte do público e críticos (como este colunista) tivessem certa antipatia e má vontade com o disco naquele momento para escapar do assédio.
É preciso contextualizar para entender que todo esse marketing ostensivo não aconteceu em vão. Havia muita coisa em jogo no lançamento do álbum. Campeã de vendas da CBS nos anos 1980, Simone saiu meio por baixo da gravadora – então já denominada Sony Music – em 1995, ano em que a cantora se transferiu para a PolyGram, acolhida por Maynard.
Era questão de honra para cantora e para o executivo que o álbum se transformasse em um retumbante sucesso de vendas. Nessa fogueira de vaidades, quem ardeu em chamas foi o disco, que ganharia em 1996 uma faixa-bônus, a regravação de Ave Maria (Vicente Paiva e Jayme Redondo, 1950) com o coro das Meninas Cantoras de Petrópolis, música desde então incorporada ao repertório de clássicos natalinos.
Foi preciso que o tempo – eterno senhor da razão – apagasse essa fogueira para que o álbum fosse reavaliado sem paixões e sem a fúria gerada em dezembro de 1995.
Orquestrado com produção musical de Max Pierre e Moogie Canazio a partir de ideia proposta por Simone ao executivo Marcos Maynard (consta que a cantora teve a ideia ao se deparar com diversos álbuns natalinos em loja de discos de Nova York e intuir que discos do gênero poderiam dar certo no Brasil), o álbum 25 de dezembro acertou ao reavivar então esquecida canção de Roberto Carlos e Erasmo Carlos (1941 – 2022), Pensamentos (1982), que se afinava com o espírito de Natal.
Clássico da dupla de compositores sempre presente nos shows de Roberto, o spiritual Jesus Cristo (1970) também ressurgiu no disco de Simone com coro de tom gospel.
A cantora também deu voz standards natalinos como Sino de Belém / Jingle bells (James Pierpont, 1857, em versão em português de Evaldo Ruy, 1941), Natal das crianças (Blecaute, 1955), O velhinho (Otávio Babo Filho, 1954) – cantado por Simone no devido tempo de delicadeza – e Noite feliz (1912), versão em português – escrita pelo frade Pedro Sinzig (1876 – 1952) – da canção austríaca Stille nacht (Franz Gruber e Joseph Mohr, 1818), conhecida em inglês como Silent night.
Versão em português de White Christmas (Irving Berlin, 1942), escrita pelo compositor fluminense Marino Pinto (1916 – 1965), Natal branco (1956) ganhou as cores de arranjo que evocava a era norte-americana das big bands do jazz.
Em contrapartida, resultou desafinada a ideia de reviver a tristonha marcha Boas festas (Assis Valente, 1933) com o baticum do grupo baiano Timbalada. O tom expansivo da gravação diluiu o sentimento da letra, contrariando a natureza melancólica de versos que denunciavam a injustiça social evidenciada no Brasil a cada Natal em que umas crianças têm tudo e outras têm nada.
Que maravilha viver... – versão em português de Claudio Rabello de What a wonderful world (1967), último sucesso do trompetista e cantor Louis Armstrong (1901 – 1971) – completou o repertório deste álbum que, aos 30 anos de vida, já gera mais simpatia do que antipatia. Até porque as ações massificantes para vender o álbum ficaram esquecidas ao longo desses 30 anos. Apagada a fogueira das vaidades, a música sempre sobrevive ao marketing.
Capa do álbum ‘25 de dezembro’, de Simone
Divulgação
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/F/R/jBWDSrQemXlsD9kjBxXg/simone-willybiondani2.jpg)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/b/N/GiMxG2Q1a6Cp2qctX0bw/whatsapp-image-2025-12-25-at-08.11.17-1-.jpeg)
EPTV 2 Campinas ao vivo Assista diariamente ao telejornal da EPTV pela internet.
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/m/V/VoSQK1T5icdO4Kg5ESHg/img-5793-1.jpeg)
Av. Francisco Bicalho é liberada após protesto de parentes de mortos em operação; SIGA Segundo as autoridades de segurança, lista de mortos na megaoperação deve ser divulgada até o fim de semana. Operação deixou 121 mortos e 113 presos. Após divergências, Castro e Lewandowski se reuniram e anunciaram cooperação. O que dizem os moradores e o governador sobre a operação. 'Muro do Bope': entenda estratégia da polícia e veja INFOGRÁFICO. Castro disse que não pediu GLO; entenda o que é e por que o termo voltou a ser discutido
:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/x/C/LytP2ZTkezMCZhLfyUpQ/ap25302397639233.jpg)
Cliente raiz: dupla chega a cavalo no drive-thru e rouba a cena em Ipojuca
Dois homens viralizaram nas redes sociais após irem comprar lanche em um drive-thru montados a cavalo. A situação inusitada aconteceu na quarta-feira (29), em uma lanchonete da rede McDonald's em Porto de Galinhas, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco. A dupla chamou a atenção pelo bom humor e pela forma peculiar de fazer o pedido.
Nas imagens, Yuri Reithler e seu amigo, conhecido como Bu, aparecem rindo e se divertindo com a situação. Eles são moradores de Maracaípe, praia vizinha ao famoso destino turístico pernambucano (veja vídeo acima).
✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp
“Pode, né, com cavalo? Não está dirigindo? E ainda poderia estar bebendo", comenta Yuri. “Exatamente, não tem bafômetro”, responde o amigo.
Segundo Yuri, ele e o amigo passavam pelo restaurante e tiveram vontade de tomar refrigerante. Entretanto, não podiam entrar na loja com os cavalos. A solução seria passar no drive-thru — que não atende pedestres.
“A gente tinha essa ideia de passar lá e estava querendo uma Coca-Cola, de fato. Aí a gente pegou e foi. Só que não dá para entrar com o cavalo dentro da loja, né? Aproveitamos e passamos no drive. A gente estava ‘dirigindo’ cavalo mesmo”, disse.
No vídeo, eles aparecem fazendo o pedido no totem de atendimento do restaurante e pegando refrigerantes.
Como surgiu a ideia
Yuri Reithler, um dos protagonistas do vídeo, contou ao g1 que a ideia surgiu de forma espontânea. Segundo ele, tanto sua família quanto a do amigo têm tradição com cavalos, e o uso do animal como transporte é comum na rotina dos dois.
“Um dia a gente surfa, outro dia anda a cavalo, fica nessa variação, sempre juntos. Acabou que lançou esse McDonald's e a gente teve a ideia de ir lá e pegar o lanche, só que a cavalo, que é como a gente anda por aqui”, contou Yuri.
Yuri, que é proprietário de uma pousada em Maracaípe, explicou que a região tem um estilo de vida mais tranquilo, o que facilita momentos de lazer mesmo em meio aos dias úteis da semana.
“Como a gente não pega trânsito, sobra muito tempo para fazer o resto das coisas, acaba que dá para andar de cavalo quase todo dia ou surfar. Mesmo com todo o trabalho, sobra tempo”, comentou.
Ele explicou que o uso de carro é raro entre eles, e que andar a cavalo faz parte do cotidiano da comunidade local.
“A gente faz muita coisa a cavalo. Como a gente passeia e passa na frente dos lugares, aproveita e para. É um costume normal, meu pai fazia muito isso, minha mãe e eu também”, contextualizou.
Yuri Reithler e o amigo Bu utilizaram o drive-thru do McDonald’s a cavalo
Montagem/g1
VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/3/F/hyqGcLTBml6CP6nWmMQg/montagens-g1-37-.jpg)
Roberto Curió ao ser diplomado como vereador de São Luiz, no interior de Roraima
TRE-RR/Divulgação
A Justiça Eleitoral diplomou nesta quinta-feira (30) Roberto da Rocha Silva (PP), o Roberto Curió, como novo vereador de São Luiz, no Sul de Roraima. Ele vai ocupar a vaga deixada por Faguinho (PP), cassado por comprar votos nas eleições de 2024.
Com o diploma, Roberto Curió está apto a ser empossado na Câmara Municipal de São Luiz. Nas redes sociais, ele celebrou a diplomação e disse que vai trabalhar em prol da população:
"Quero agradecer a cada amigo, cada pessoa que tava torcendo por esse papelzinho aqui [diploma]".
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp
Faguinho era presidente da Casa e foi condenado por compra de votos e abuso de poder econômico em decisão unânime do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A decisão também determinou a imediata retotalização do resultado das eleições, o que beneficiou Roberto Curió, autor da ação contra o colega de partido.
Após a diplomação do novo eleito, o TRE comunicou a Câmara de São Luiz . A posse de Roberto Curió deve ocorrer na próxima terça-feira (4), às 9h. O novo vereador recebeu 299 votos.
LEIA TAMBÉM:
Presidente da Câmara de São Luiz é cassado por compra de votos
'Dá duzentinho para cada um que é para alegrar': MP pede cassação de presidente da Câmara
Quem é Roberto Curió?
Antes de 2024, Roberto Curió havia se candidatado outras cinco vezes (2004, 2008, 2014, 2016 e 2020) mas em nenhuma delas se elegeu.
Ele é natural de Fortaleza, no Ceará, e tem 49 anos. Nas eleições do ano passado, declarou R$ 135 mil em bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) - R$ 15 mil de uma moto e R$ 120 mil de um carro. O grau de instrução dele é ensino fundamental completo.
Veja outra notícia sobre São Luiz:
CPI da ALE-RR ouve testemunhas sobre aplicação de recursos em São Luiz do Anauá
Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.
/https://s02.video.glbimg.com/x720/13456861.jpg)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/I/O/HLgGhfQKyVpf44NNBTFg/whatsapp-image-2025-02-18-at-11.32.08.jpeg)
Ministério da Educação confirma aplicação das provas do Enem no Arquipélago do Bailique
A Justiça Federal decidiu que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025 será aplicado no Arquipélago do Bailique, no Amapá. A medida foi tomada para facilitar o acesso de estudantes da região, que antes precisavam enfrentar uma viagem de mais de 160 km até Macapá. O trajeto, feito de barco, pode durar até 16 horas — e chegou a levar três dias em 2024, por causa da seca e da baixa dos rios.
Charlyane Silva, de 17 anos, está no último ano do ensino médio e, em 2024, fez o Enem como ‘treineira’ — estudante que participa da prova apenas para adquirir experiência. Ela lembra que o deslocamento até Macapá exigiu planejamento e mais custos.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AP no WhatsApp
“O deslocamento foi bem longo e acabei tendo um investimento muito maior que o habitual quando fui para Macapá. Foi um esforço grande só pra conseguir chegar no local da prova”, conta.
LEIA TAMBÉM:
Justiça Federal determina realização de provas do Enem no Arquipélago do Bailique, no AP
Mais de 33 mil inscrições são confirmadas para o Enem 2025, no Amapá
Charlyane Silva, de 17 anos, enfrentou uma viagem de mais de 12 horas de barco para fazer as provas
Crystofher Andrade/g1
Charlyane relata que a viagem foi feita em um barco fretado e que os estudantes ficaram acomodados em um alojamento de uma escola no centro da capital. A viagem leva entre 12 e 14 horas, dependendo das condições de tempo, baixa dos rios ou estiagem.
“A viagem em si é bastante cansativa mesmo. Com essa mudança, facilita muito a vida da gente. Enfrentamos diversas dificuldades no dia a dia, e essa medida torna o processo mais acessível”, diz a estudante.
Jacirene Ramos, professora da Escola Bosque do Bailique, afirma que a aplicação da prova no arquipélago é essencial para garantir igualdade de acesso aos estudantes que vivem nas comunidades ribeirinhas.
“Se a prova continuasse a ser realizada apenas em Macapá, seria extremamente prejudicial para todos os alunos daqui, pois implica em logística para o deslocamento à cidade. A viagem para Macapá é bastante exaustiva. Os professores precisam acompanhar os alunos, o que aumenta o cansaço”, contou.
Decisão da justiça
Em setembro, a Justiça Federal determinou que o Enem 2025 seja aplicado no arquipélago. A decisão liminar, publicada no dia 8, atendeu a uma recomendação do Ministério Público Federal (MP-AP) e definiu que as provas sejam realizadas nas escolas Cláudio dos Santos Barbosa ou Bosque, com apoio logístico do governo estadual.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) havia argumentado que a região não atendia ao critério técnico de ter mais de 600 inscritos para sediar a prova.
No entanto, a Justiça considerou as particularidades do Bailique, com cerca de 8 mil habitantes, destacando que a ausência de local de prova na região configuraria “discriminação indireta”.
A decisão também ponderou que, embora exista risco à segurança dos malotes de provas, esse fator não deve impedir a aplicação do exame. O juiz destacou que o deslocamento até Macapá representa um risco ainda maior à integridade dos estudantes.
Ribeirinhos puxam embarcações para não ficarem isolados após seca de rios no Amapá
Escola Bosque, no Bailique
Divulgação/Orleano Marques
*Estagiário sob supervisão do editor Rafael Aleixo.
Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá
VÍDEOS com as notícias do Amapá:
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/r/w/QoKGE3SAuye1rr7UE3CA/whatsapp-image-2025-10-20-at-08.36.08.jpeg)
Tenente-coronel do Exército, Kleber Yanez do Nascimento, foi preso em flagrante pela PM
Reprodução/Facebook/Kleber Yanez
A esposa do tenente-coronel Kleber Yañez do Nascimento, de 46 anos, suspeito de agredi-la e de atirar no sogro, afirmou à Polícia Civil que havia sido vítima de agressões anteriores. Yañez teve a prisão preventiva decretada pela Justiça nessa segunda-feira (20), em Boa Vista.
Em depoimento à polícia, que o g1 teve acesso com exclusividade, a mulher, de 42 anos, afirmou que é casada há 20 anos com o tenente-coronel e que, nesse período, foi agredida fisicamente pelo marido em várias ocasiões. No entanto, ela disse nunca ter registrado boletim de ocorrência contra ele.
Yañez foi preso na noite de domingo (19) após agredir a esposa e atirar no sogro, que tentava ajudar a vítima. A filha do casal, uma menina de 11 anos, viu o pai agredindo a mãe e pediu ajuda a um tio. O crime ocorreu numa vila militar no bairro São Francisco, zona Norte.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp
Na delegacia, o tenente-coronel foi atuado em flagrante pelos de tentativa de feminicídio e lesão corporal dolosa contra o sogro.
Soco na boca da esposa
Agressão ocorrida na noite de domingo, segundo depoimento da esposa, foi sido motivada por ciúmes do marido. Ela disse à polícia que foi atingida por um soco na boca e que Yañez havia consumido bebida alcoólica, mas não estava embriagado. A mulher afirmou ainda temer pela própria vida porque o marido possui arma de fogo e é "atirador de elite".
LEIA TAMBÉM:
Justiça mantém prisão de tenente-coronel do Exército suspeito de agredir esposa e atirar no sogro
Tenente-coronel do Exército é preso por agredir esposa e atirar no sogro
Ao decretar a prisão preventiva, o juiz considerou as declarações da esposa: "As circunstâncias do delito imputado ao custodiado demonstram a necessidade de sua segregação cautelar para a garantia da ordem pública e, em especial, da segurança da própria vítima", cita trecho da audiência de custódia.
Segundo a mulher, o pai dela foi atingido com dois tiros na barriga, foi levado ao Hospital Geral de Roraima (HGR), onde passou por cirurgia e foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Em nota, o Exército informou que "tem adotado todas as medidas cabíveis e colaborado de forma plena e irrestrita com as autoridades estaduais competentes, além de prestar todo apoio médico e psicológico aos familiares do militar."
Kleber Yañez está preso preso no quartel-general do 1ª Brigada de Infantaria de Selva, à disposição da Justiça.
Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/S/a/xsqq5BQVG6DfbrNWjStg/yanez.jpg)
Mestres abridores de letras da Amazônia: ofício completa 100 anos em 2025
ILQF
Depois de aportar em Fortaleza, Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Salvador, o projeto Letras que Navegam – Oficinas de Letras Amazônicas pelo Brasil ancora em Belém para comemorar o centenário do ofício dos mestres ribeirinhos. No dia 23 de outubro, das 18h às 20h, a CAIXA Cultural Belém recebe bate-papo gratuito e aberto ao público com criação ao vivo das letras e paisagens — oportunidade rara de ver, de perto, o gesto que nasceu nos rios da Amazônia e hoje cruza o país. A itinerância, iniciada no começo de outubro de 2025, passa ainda por São Paulo e Curitiba, marcando a primeira circulação nacional desses guardiões da tradição secular.
A prática de abrir letras surgiu em 1925, quando a Capitania dos Portos passou a exigir a identificação pintada nas embarcações amazônicas. Do preto-e-branco às paletas vibrantes atuais, formou-se um vocabulário visual de curvas, ornamentos e cromias que carrega memória, território e pertencimento. Pela primeira vez em cem anos, os próprios abridores circulam o Brasil como formadores, conduzindo oficinas e trazendo para o centro da cena um saber que, por décadas, permaneceu restrito às beiras de rio.
“É uma oportunidade única de mostrar a Amazônia e permitir que o Brasil conheça de perto esses artistas populares”, afirma Fernanda Martins, presidenta do Instituto Letras que Flutuam (ILQF).
“Esse encontro fortalece os laços entre os mestres e consolida um coletivo que carrega um patrimônio imaterial centenário.”
Em Belém, as oficinas e o bate-papo são ministrados por Francivaldo da Silva Oliveira e Simão “Ramito” Costa Sarraf. Além do encontro aberto ao público, os mestres também se encontram com estudantes do Colégio Antônio Lemos e da Escola Estadual Jarbas Passarinho, reforçando a transmissão intergeracional desse saber ribeirinho. “Voltar a Belém é como voltar ao ponto de partida, ao lugar onde essa arte nasceu e continua viva”, diz Francivaldo, ex-vaqueiro que aprendeu a abrir letras observando o avô, tios e primos.
“A gente leva a Amazônia para o Brasil e traz o Brasil de volta para as nossas águas.”
Jovens de diversas regiões do Brasil participam de oficinas de mestres abridores de letras
ILQF
Com 45 anos de experiência no ofício, Ramito, de Breves, no Marajó, conta que a primeira experiência veio na infância, quando improvisou um pincel com “barba de bode” para batizar o barco da mãe. Desde então, ampliou o alcance de seu trabalho, participando de projetos coletivos de mural e representando os abridores em circuitos nacionais, o que ajudou a projetar a técnica para fora do Pará.
“Nossa valorização abre portas e gera renda; é importante para que o ofício siga vivo e reconhecido”, afirma.
A etapa pedagógica que preparou a itinerância ocorreu em setembro, durante o III Encontro de Abridores de Letras do Pará, em Belém, com formação conduzida pela pesquisadora Marcela Castro. “Cada abridor tem um modo único de ensinar, e isso é riqueza. O trabalho foi pensar juntos em caminhos para que esse conhecimento alcance mais pessoas sem perder a raiz ribeirinha”, resume Marcela.
Serviço:
Data: 23 de outubro de 2025 | Horário: 18h às 20h
Local: CAIXA Cultural Belém, Av. Mal. Hermes, S/N - Armazém 6A - Reduto
Atividade: Bate-papo gratuito com demonstração ao vivo de pintura ribeirinha
Acesso: Aberto ao público
VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará
Leia as últimas notícias do estado no g1 Pará
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/Q/a/497t7dTkmrnsM9xg9P3w/abridor-e.jpg)