**O sistema judicial no Ocidente: uma ameaça à democracia**
*Artigo de Franklin Ferreira publicado em 20/03/2025 na Gazeta do Povo*
A democracia ocidental atravessa um período de tensão institucional, impulsionado pelo crescente poder de interesses transnacionais sobre a estrutura interna de países antes plenamente soberanos. Destaca-se, nesse cenário, a atuação de organizações e figuras públicas que promovem a chamada “governança global”, influenciando diretamente o funcionamento do sistema judiciário. Entre os nomes mais emblemáticos está George Soros, cuja fundação, a Open Society Foundations (OSF), desempenha um papel relevante nesse contexto, gerando discussões sobre os limites entre a cooperação internacional e a ingerência externa.
Nesse panorama, o Ministério Público (MP), devido à sua atuação no campo da Justiça e à capacidade de influenciar decisões judiciais, pode ser compreendido como parte de um “sistema judicial ampliado” – especialmente quando se discute o uso político da lei, seja por meio de ativismo ou instrumentalização. Assim, ao se referir ao sistema judiciário, incluem-se não apenas juízes e ministros das cortes superiores, mas também, de maneira implícita, promotores e procuradores de Justiça, cuja participação é fundamental na dinâmica institucional em debate.
O que está em jogo hoje é a autonomia dos sistemas judiciais, a soberania das nações e as liberdades de consciência, expressão e culto em todo o Ocidente. Em diversos países das Américas e da Europa, onde outrora prevalecia o império da lei, cresce o número de decisões judiciais e processos que ultrapassam os limites constitucionais do Poder Judiciário, impactando especialmente políticos, jornalistas, influenciadores e religiosos que defendem valores genuinamente democráticos.
**Estados Unidos: conservadores e cristãos sob pressão**
A OSF investe em causas aparentemente relacionadas aos direitos humanos, acesso à Justiça e fortalecimento da democracia. No entanto, muitos desses investimentos estão associados à promoção de pautas como promoção do aborto e homossexualidade, fronteiras abertas e desarmamento, além do apoio a organizações que têm papel ativo em influenciar decisões judiciais. Nos Estados Unidos, a OSF investiu mais de US$ 50 milhões em campanhas para eleger procuradores alinhados a agendas progressistas, conforme dados do Law Enforcement Legal Defense Fund.
O caso mais emblemático é o do presidente Donald Trump, alvo de múltiplos processos com motivações claramente políticas. O promotor Alvin Bragg, de Manhattan/Nova York, eleito com apoio de Soros, iniciou um processo contra Trump por uma suposta “falsificação contábil” – um delito que, mesmo se verdadeiro, raramente resultaria em processo criminal, mas que foi inflado artificialmente para tentar impedir sua candidatura nas eleições em 2024.
No primeiro mandato de Trump, de 2017 a 2020, juízes indicados por democratas adotaram medidas para suspender ou bloquear decisões executivas, especialmente em áreas como política migratória, liberdade religiosa e regulamentação ambiental. Medidas como a restrição de entrada de cidadãos de países com alto risco de terrorismo (apelidada de travel ban) e políticas que limitavam o financiamento a clínicas que realizam abortos foram alvo de injunções judiciais, muitas vezes emitidas por tribunais de primeira instância. Mal começou seu segundo mandato, Trump já está às voltas com o mesmo problema.
Tais decisões são exemplos de ativismo judicial, em que juízes usam seu cargo para impor uma visão política alinhada com o progressismo esquerdista, interferindo na prerrogativa constitucional do Executivo, e dificultando a implementação da agenda escolhida nas urnas pela maioria da população.
Além disso, cristãos vêm sofrendo perseguição aberta. Jack Phillips, dono da confeitaria Masterpiece Cakeshop, foi levado à Justiça por se recusar a fazer bolos de casamento para casamentos homoefetivos, com base em suas convicções religiosas. Mesmo após vencer na Suprema Corte, foi novamente processado em seu estado por se recusar a fazer um bolo com essa temática. A lição é clara: o sistema globalista quer forçar a adesão à nova moralidade, nem que seja à força judicial, desrespeitando a escusa de consciência.
Casos semelhantes se multiplicam. Pais que protestam contra a imposição da agenda homossexual em escolas são rotulados como “terroristas domésticos” por órgãos como o FBI, que se baseiam em diretrizes politizadas vindas do topo do Judiciário e da burocracia estatal.
**Brasil: expansão das competências do Judiciário**
No Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem desempenhado um papel cada vez mais proeminente no cenário político e institucional, especialmente a partir de 2019. Sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, o STF passou a conduzir inquéritos de ofício, para investigar a disseminação de informações falsas e ataques a ministros da corte.
Diversas medidas judiciais foram adotadas com base nesses inquéritos, incluindo a prisão de parlamentares, bloqueio de perfis em redes sociais e de contas bancárias, e ordens de extradição contra opositores políticos. Tais ações extrapolam os limites constitucionais do Judiciário, afetando garantias individuais como a liberdade de expressão e o devido processo legal. Além disso, ONGs financiadas por Soros têm atuado junto ao STF em temas como combate à desinformação, regulação das redes sociais, desarmamento e defesa do aborto.
E setores do MP têm tomado ações excessivas contra cristãos que expressam publicamente sua fé, especialmente em temas moralmente sensíveis, como sexualidade e aborto. Casos envolvendo investigações e ações civis públicas contra pastores, padres e instituições religiosas por suposto “discurso de ódio” ou “intolerância religiosa” têm gerado preocupação nas igrejas cristãs, que veem nessas medidas uma tentativa de criminalizar a pregação da fé e de valores bíblicos.
Além disso, o MP tem tomado medidas para retirar símbolos da fé cristã de espaços públicos, o que parece uma tentativa de apagar a influência da tradição cristã na história do Brasil. Essas ações, justificadas como defesa do Estado laico, ameaçam a liberdade religiosa e de expressão asseguradas pela Constituição. Assim, em vez de proteger direitos fundamentais, setores do MP estão promovendo militância ideológica esquerdista, silenciando vozes cristãs e conservadoras sob o pretexto de combater discriminação.
Ao reagir à decisão de Eduardo Bolsonaro de se exilar nos Estados Unidos, o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) não poupou críticas e denunciou o que considera um ataque aberto à democracia por parte do Judiciário: “É inimaginável [o que está ocorrendo] para a democracia brasileira [...]. A perseguição é [...] escrachada [...]. A decisão [de reter o passaporte de Eduardo Bolsonaro] era política, não jurídica, e [...] a demora em decidir era puro instrumento de chantagem covarde. [...] Vivemos em uma ditadura do Poder Judiciário no Brasil em conjunto com o PT de Lula e [...] deputados [esquerdistas]”.
**Reino Unido: liberdade religiosa e de expressão em risco**
No Reino Unido, casos como o da ativista pró-vida Isabel Vaughan-Spruce, presa por orar silenciosamente em frente a uma clínica de aborto, suscitaram preocupação sobre a liberdade religiosa. A justificação da prisão pela polícia foi “pensamento ofensivo”. Isso não é ficção distópica – é a realidade britânica.
Além disso, pastores e padres estão sendo investigados por “discurso de ódio” por pregar em textos bíblicos que ensinem sobre sexualidade ou moralidade. A fé cristã no Reino Unido virou alvo do judiciário. Enquanto isso, gangues de estupradores, compostas por imigrantes ilegais, são ignoradas pelas autoridades, temerosas de serem acusadas de “racismo”. A percepção é de que a Justiça protege os criminosos, mas persegue os cristãos.
Casos de prisões e condenações por críticas ao islamismo nas redes sociais ou em manifestações públicas têm também gerado intenso debate sobre os limites da liberdade de expressão. Leis contra “discurso de ódio” e “incitação ao ódio religioso” têm sido aplicadas de forma rigorosa, especialmente contra cidadãos britânicos que expressam opiniões críticas à cultura islâmica, imigração ou comportamento de certos grupos muçulmanos. Em alguns casos, pessoas foram presas por postagens consideradas ofensivas, ainda que pacíficas, e em outros por exibir cartazes ou fazer discursos públicos interpretados como “islamofóbicos”.
Essas ações representam uma restrição desproporcional da liberdade de expressão, criando um clima de censura seletiva, onde críticas a determinadas religiões ou ideologias são criminalizadas, enquanto outras são toleradas ou ignoradas pelas autoridades.
**Canadá: judicialização da crise sanitária**
Sob o primeiro-ministro Justin Trudeau, a perseguição judicial a opositores políticos e cristãos atingiu níveis alarmantes. Durante os protestos dos caminhoneiros contra as restrições sanitárias autoritárias, o Freedom Convoy, em 2022, manifestantes pacíficos foram presos, tiveram contas bancárias congeladas e foram criminalizados sem julgamento – tudo com aval do Judiciário canadense. O pastor Artur Pawlowski, por exemplo, foi preso múltiplas vezes por realizar cultos presenciais durante a pandemia de Covid-19, sob acusações desproporcionais. Em 2021, foi condenado por “incitar desobediência civil” – ou seja, por pregar contra o governo e apoiar protestos pacíficos.
A Suprema Corte canadense vem tomando decisões alinhadas à agenda globalista, inclusive em temas como eutanásia, censura nas redes e homossexualidade. Desde 2016, a OSF financia projetos específicos de ONGs no Canadá, especialmente voltados a temas como imigração e reforma da Justiça criminal.
**Israel: debate sobre reforma judicial**
Em Israel, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, apoiado por partidos da direita e conservadores, como o Likud, o Otzma Yehudit, o Tkuma e o Shas, apresentou uma proposta de reforma judicial com o objetivo de limitar o poder de revisão da Suprema Corte, argumentando que o Judiciário tem agido além de suas competências, interferindo em decisões políticas e legislativas. A reforma previa mudanças que restringiriam a capacidade dos juízes de anular leis aprovadas pelo parlamento e reduziria o poder do sistema judicial de intervir em atos do governo.
A proposta gerou um intenso debate, que dividiu a sociedade israelense. Protestos contra a proposta, ocorridos entre janeiro e outubro de 2023, foram liderados por grupos progressistas, apoiadas por partidos centristas e esquerdistas, como o Yesh Atid, o Ha-Avoda e o Meretz. Até o momento, não há evidência que vincule a OSF ao financiamento ou à organização dos protestos em Israel.
Além dessas tensões internas, grupos financiados pela OSF, como a US Campaign for Palestinian Rights (USCPR), incitam o ódio contra Israel e incentivaram protestos em universidades nos Estados Unidos. Eles são financiados e organizados pelo Students for Justice in Palestine (SJP), apoiados pela OSF e outras organizações, que promovem a agenda árabe palestina. O Jewish Voice for Peace (JVP), fundado por Noam Chomsky, apoia o boicote a Israel, defende a recusa ao serviço militar, chama o país de “Estado fascista” e se vê como defensora da paz e da “justiça social”. Além disso, a OSF apoiou causas árabes palestinas, colocando em risco a segurança de Israel ou enfraquecendo sua posição no cenário internacional, questionando a reputação do país como uma democracia plena. Embora tenham inicialmente condenado o assassinato de judeus em Israel perpetrado pelo grupo terrorista Hamas, em 7 de outubro de 2023, e afirmado apoiar protestos não violentos, esses grupos esquerdistas rapidamente mudaram sua postura para um claro apoio aos árabes palestinos, na medida em que a guerra na Faixa de Gaza recrudesceu.
**Hungria: regulação de ONGs estrangeiras**
O primeiro-ministro Viktor Orbán e seu partido, o Fidesz, vêm implementando políticas que visam limitar a atuação de ONGs financiadas por agentes externos, além de reformar estruturas institucionais, incluindo o Judiciário. Em 2017, o Parlamento húngaro aprovou uma lei exigindo que organizações da sociedade civil que recebessem mais de 7,2 milhões de florins (cerca de US$ 24 mil) por ano do exterior se registrassem como “financiadas do exterior”, divulgando publicamente seus doadores.
Outro foco foi a Universidade Central Europeia (CEU), fundada por Soros. Mudanças na legislação húngara levaram a CEU a transferir suas principais operações de Budapeste para Viena, na Áustria, em 2018, alegando dificuldades para cumprir exigências legais. A OSF encerrou suas atividades em Budapeste também em 2018, transferindo sua sede regional para Berlim, na Alemanha.
O governo Orbán afirma que essas medidas visam proteger a soberania do país e garantir que decisões políticas e judiciais não sejam influenciadas por agentes estrangeiros. Essa situação na Hungria evidencia uma tensão crescente em países que tentam reavaliar o grau de influência que organizações transnacionais devem ter sobre instituições locais, incluindo o Judiciário, e traz à tona o debate sobre equilíbrio entre soberania nacional e cooperação internacional.
**O fim da democracia**
O crescimento do poder do Judiciário, muitas vezes em confronto com os poderes eleitos pelo povo, coloca em risco a preservação da soberania nacional, das liberdades individuais e dos valores que moldaram as democracias ocidentais. A atuação de ONGs e fundações internacionais – com destaque para a OSF de George Soros – levanta sérias dúvidas sobre os limites da influência externa em decisões internas e sobre até que ponto a cooperação transnacional pode suplantar a vontade popular de uma nação.
Em diversos países do Ocidente, observa-se um fenômeno recorrente: setores do Judiciário, ideologicamente alinhados ao globalismo e esquerdismo e muitas vezes apoiados por recursos estrangeiros, passaram a atuar não como guardiões da lei, mas como instrumentos de engenharia social. Parlamentares são silenciados, cidadãos enfrentam censura, e igrejas são pressionadas por manterem sua fé. A soberania do voto é relativizada, e princípios constitucionais são reinterpretados para servir a agendas ideológicas. Assim, o Judiciário deixou de ser árbitro neutro e tornou-se um poder autônomo, cujos compromissos parecem cada vez mais voltados à imposição de uma nova ordem global – contrária às fronteiras, às identidades nacionais, aos valores cristãos e às liberdades tradicionais.
Trata-se de uma forma de totalitarismo moderno, que não se impõe com armas, mas com sentenças; não se declara, mas se infiltra – sob a aparência de legalidade. Como advertiu Ronald Reagan, em 1961: “A liberdade nunca está a mais do que uma geração de distância da extinção. [...] Ela deve ser protegida e entregue para que eles [nossos filhos] façam o mesmo, ou um dia vamos passar anos dizendo aos nossos filhos [...] como era nos Estados Unidos, onde os homens eram livres”. Essa advertência vale hoje, para todos os povos do Ocidente que desejam permanecer livres.
Fonte:

Gazeta do Povo
O sistema judicial no Ocidente: uma ameaça à democracia
Ideologização do sistema judicial, muitas vezes bancada por instituições como a OSF de George Soros, está minando as soberanias nacionais.