Empresa investigada por ligação com tráfico recebeu quase R$ 250 mil de campanhas eleitorais

A empresa de táxi aéreo CNM Aviação, investigada por suposta ligação com um grupo responsável pelo envio de cocaína para a Europa, recebeu quase R$ 250 mil de campanhas nas eleições de 2022. Os pagamentos foram realizados principalmente pelo PSD de Minas Gerais, mas também incluíram contratos firmados por candidatos do Partido Liberal (PL) no
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As informações foram reveladas pelo portal Metrópoles, com base em documentos de prestação de contas eleitorais, notas fiscais e registros da investigação conduzida pela
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e pelo Ministério Público Federal (MPF).
A CNM Aviação pertence à empresária Juliana Costa Nobre Magalhães. Em 2023, esta foi denunciada pelo MPF por formação de quadrilha no âmbito da Operação Flight Level. Trata-se de uma investigação da PF sobre uma organização acusada de enviar cocaína do Brasil para a Europa por meio de aeronaves executivas.
De acordo com a denúncia, Juliana exercia função de “gerente-executiva” do grupo liderado por Karina Campos, conhecida pelos investigadores como “Rainha do Pó”. A empresária chegou a ser presa preventivamente durante as investigações, mas acabou colocada em liberdade.

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CNM Aviação on Instagram: "Piper PA-31 - Cheyenne !!"
50 likes, 1 comments - cnmaviacao on January 3, 2026: "Piper PA-31 - Cheyenne !!".

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PSD concentrou maior parte dos pagamentos
Documentos mostram que a maior parte dos recursos recebidos pela CNM Aviação veio do PSD mineiro. A direção estadual do partido contratou serviços da empresa que ultrapassam R$ 160 mil durante a campanha de 2022.
Outros cerca de R$ 55 mil foram pagos pela campanha de Alexandre Kalil ao governo de Minas Gerais. Naquele ano, Kalil disputou o Palácio Tiradentes pelo PSD. Atualmente, está filiado ao PDT.
Além dos contratos ligados ao PSD, a CNM também emitiu notas fiscais para a campanha do deputado federal Eros Biondini (PL-MG), no valor de aproximadamente R$ 15 mil, e para a campanha da deputada estadual Chiara Biondini (PL-MG), que também pagou cerca de R$ 15 mil.

Kalil está atualmente no PDT | Foto: Amira Hissa/Prefeitura de Belo Horizonte
Empresa surgiu depois de operação da Polícia Federal
A criação da CNM Aviação é um dos pontos centrais da investigação. A empresa foi aberta em 2021, pouco depois da deflagração da Operação Flight Level. O endereço escolhido para a nova companhia coincide com o hangar anteriormente utilizado pela BHZ Táxi Aéreo, empresa ligada a Leonardo Costa Nobre, irmão de Juliana. Ele é apontado pelos investigadores como um dos líderes da organização criminosa investigada.
De acordo com o
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a CNM foi criada para manter a exploração econômica da estrutura que já era utilizada pelo grupo. Na denúncia apresentada à Justiça Federal, os procuradores afirmam que Juliana constituiu e administrou a nova empresa em benefício de Leonardo e de André Eleutério, outro investigado apontado como integrante da cúpula da organização.

Agentes da Polícia Federal (PF) | Foto: Divulgação/Agência Brasil
“Juliana constituiu e administrou, em nome de André e de Leonardo, a empresa CNM Aviação e Táxi Aéreo no mesmo endereço da empresa BHZ”, afirma o documento do MPF citado pelo Metrópoles.
Os procuradores sustentam ainda que a empresária utilizou seu nome para criar uma pessoa jurídica com o objetivo de reativar o hangar anteriormente explorado pela BHZ Táxi Aéreo.
A ligação entre o local e o tráfico internacional já havia aparecido em investigações anteriores. Em 2020, quando o hangar ainda era utilizado pela BHZ Táxi Aéreo, uma aeronave associada à estrutura foi relacionada à apreensão de 175 quilos de cocaína no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, Portugal. A apreensão se tornou um dos elementos utilizados pela Polícia Federal para rastrear a atuação do grupo investigado na Operação Flight Level.
Conforme os investigadores, a organização utilizava aeronaves executivas para transportar drogas destinadas ao mercado europeu.
Notas fiscais chamaram atenção
Outro aspecto do caso envolve os valores cobrados pelos voos contratados durante a campanha eleitoral. As notas fiscais emitidas pela CNM mencionam a utilização de dois jatos executivos: um Cessna Citation II, prefixo PR-VIR, e um Cessna Citation VII, prefixo PR-JAP.
Apesar disso, a empresa não aparecia registrada na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) como proprietária nem como operadora das aeronaves. Nos registros da agência, a operadora responsável pelos dois jatos era a Heringer Táxi Aéreo Ltda., sediada em São Luís (MA).
As notas também mostram cobranças baseadas em quilometragem mínima contratual. Em um dos casos, referente a deslocamentos da campanha de Alexandre Kalil, o PSD pagou cerca de R$ 55 mil por um voo entre Belo Horizonte e Montes Claros. A distância em linha reta entre os dois municípios é de aproximadamente 350 quilômetros. Mesmo assim, o contrato previa cobrança mínima correspondente a 1,2 mil quilômetros voados.
Em outro documento, o PSD desembolsou quase R$ 110 mil por dois trajetos realizados em setembro de 2022. Somadas, as viagens representam cerca de 1,1 mil quilômetros em linha reta. A cobrança, contudo, foi calculada sobre um mínimo contratual de 1,2 mil quilômetros por decolagem, totalizando 2,4 mil quilômetros faturados.
PSD diz que não identificou irregularidades
O PSD afirmou que a contratação ocorreu dentro das regras eleitorais vigentes. Em nota, o partido declarou que realizou análise da documentação da empresa antes da contratação e que não encontrou qualquer impedimento.
"Nas
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gerais de 2022, o partido, após análise rigorosa do CNPJ e demais dados, contratou a empresa para prestação de serviços de táxi aéreo, conforme previsto pela legislação. Não se verificou, à época, nenhuma irregularidade”, informou a legenda.
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Revista OESTE - Negócios, Economia, Política e Agronegócio
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