O mundo está a regredir nas suas liberdades. Em termos de liberdade de expressão, hoje estamos muito menos livres do que os finais da década de 90, inícios de 2000.
Em termos económicos, o ponto de viragem foi muito posterior, na pandemia, foi o momento, quando o mundo apercebeu-se dos problemas da globalização, como o ocidente estava dependente dos meios de produção da China. Este episódio foi apenas o início, mas tudo acelerou com o início da Guerra da Ucrânia, quando os norte-americanos utilizaram o dólar como uma arma de guerra.
A globalização tornou o mundo dependente/refém de duas grandes potências, a China, com os meios de produção e dos EUA, com a moeda de reserva.
Após a pandemia, iniciou-se a desglobalização, os países estão cada vez mais protecionistas e vão acelerar nos próximos anos. Vão surgir mais políticas de controle de capitais e também restrições de circulação de bens.
A globalização trouxe deflação para os europeus, foi bom para comprar os produtos baratos vindos da China, o pior é agora, a reversão vai trazer inflação para os cidadãos, num primeiro momento.
A UE sempre foi um bastião de livre circulação de capitais, mas também está a mudar. Não deverá faltar muito, para os burocratas de Bruxelas criarem “incentivos” para os europeus investirem em empresas europeias, vez dos EUA, ou seja, um imposto de mais valias muito superior, para os lucros fora da UE.
A Lagarde também está numa luta, para colocar de pé o Eurodigital, numa primeira fase, para combater o domínio das stablecoins de dólar. Numa segunda fase, Eurodigital será a própria mordaça dos europeus.
Esta onda de protecionismo, as stablecoins são um caso curioso, os EUA também estão-se a fechar mas ao mesmo tempo querem expandir a utilização de stablecoin pelo mundo inteiro. Os EUA querem substituir o dólar offshore por stablecoins, assim vão conseguir assumir o controle desse capital. Eles vão “obrigar” as suas empresas para receberem em stablecoins no comércio internacional, para acelerar a adoção.
Com uma política completamente expansionista, isso poderá colocar em check muitas moedas FIAT, acelerando ainda mais as políticas de controle de capitais dos restantes países.
Além disso, as stablecoins de dólar vai dar um superpoder aos EUA, muito superior ao SWIFT, vão ter o poder de congelar ou confiscar, qualquer pessoa ou empresa ou país, em qualquer jurisdição. Inevitavelmente, os EUA vão abusar desse poder, aí sim, as pessoas vão compreender a importância do Bitcoin e a sua descentralização.
O mercado cripto será um grande desafio para os países, na UE vão obrigar as exchanges a ter apenas pares em euro, qualquer stablecoin de dólar que entre será automaticamente convertida em euro. E quem utilizar serviços fora do regulamentado, vai ter uma enorme burocracia e altos impostos como um “incentivo” para não utilizar.
Os EUA também vão colocar restrições aos estrangeiros no acesso aos mercados de capitais, eles querem colocar os estrangeiros a gastar os dólares em produtos ou matérias primas, em vez de ações. Esse é o objetivo, fortalecendo a indústria e os empregos locais.
Certamente vão desvalorizar muito o dólar, possivelmente é essa a ideia, eles querem deixar de ser a moeda de reserva mundial, querem voltar a ter a liberdade de utilizar a moeda para controlar e manipular a economia local, como a China faz.
Nos próximos anos, inevitavelmente, a maioria dos países terão Exit tax, mais tarifas alfandegárias, controle de capitais mais agressivos e muitos outros novos impostos para restringir a circulação de capitais. As pessoas ficarão com a sua riqueza sequestrada.
Consequentemente o mundo económico/financeiro vai ficar muito fragmentado, o Bitcoin será possivelmente a única via de transações de valor entre “fragmentos”.
Num mundo totalmente fragmentado, fará sentido continuar a utilizar o dólar como moeda no comércio internacional? Não faz mais sentido, utilizar uma moeda neutra e anárquica?
Posso estar completamente errado, mas é isto que eu acredito.
Este foi um dos episódios mais emblemáticos da história recente de Portugal, aconteceu à 50 anos.
> «Na sequência do 25 de Abril de 1974 e da revolução em curso, iniciou-se no sul do país a ocupação de terras num processo de Reforma Agrária. Rapidamente o espaço do latifundismo foi substituído por unidades coletivas de produção, e por todas as dinâmicas políticas e sociais que lhe estão associadas. Em face da ausência de uma cultura cooperativista, e perante persistentes ataques políticos, o processo rapidamente revelou incongruências entre uma ideologia coletivista e o individualismo dos atores, entre uma dinâmica política ao centro e uma outra de esquerda, entre o texto constitucional e à prática governativa. Em 1977 começam as entregas das primeiras reservas aos antigos proprietários e começa a desvanecer-se o sonho de um efetivo modelo coletivista de reforma agrária.»
Portugal esteve muito perto de se tornar um país comunista, sem direito à propriedade privada, onde tudo era do estado ou das cooperativas.
Na época, ainda existia muito analfabetismo entre os portugueses, sobretudo no mundo rural, apesar das dificuldades, as pessoas compreendiam a importância da propriedade privada e que o coletivismo/comunistas não funcionava. Este vídeo retrata isso.
Passados 50 anos, grande parte dos portugueses sabem menos que este humilde trabalhador agrícola. Hoje o problema não é a cooperativa local, mas sim uma cooperativa nacional, ou seja, o estado, que é monstruoso, que sufoca todos, em vez de enxadas são impostos.