A burocracia é uma droga, como qualquer droga, a dosagem certa cura a doença, mas quando é em excesso mata o paciente. Perante o uso excessivo, o único beneficiado é quem produz e vende a droga.
A UE tornou-se especialista em burocracia, atualmente é o seu principal ativo de “exportação”… O problema é tão grave, que há políticos a defender a criação de mais leis para reduzir a burocracia, ou seja, criar mais burocracia para reduzir a burocracia, é simplesmente ridículo.
O excesso de burocracia é responsável pela acelerada decadência da economia europeia. Se nada mudar, a Europa vai se tornar num parque de diversões para turistas ricos dos EUA, da China, do Brasil, da Rússia, que vêm ver a Torre Eiffel, Louvre, a Torre de Belém e comer um pastel de Belém. Vai ser o único ativo que temos para vender, ser um museu a céu aberto, uma atração turística. Tal como é hoje com Cuba, aquele turismo quase mórbido, para ver como era a sociedade e carros nos anos 70.
A burocracia chegou a níveis tão absurdos, que eu começo a duvidar, o que é mais nocivo para um país, se a burocracia ou a corrupção?
Só ao ter esta dúvida, qual deles o pior, é um péssimo sinal. Se analisarmos bem, o que está por detrás da burocracia é a corrupção, há sempre certos grupos de interesse que ganham com a burocracia. O principal ganhador é o político, mas também algumas empresas, com ela conseguem eliminar a concorrência, criando oligopólios.
Nas décadas de 90 a 2000, em Portugal houve vários casos de corrupção envolvendo presidentes de câmara (equivalente a Prefeito no Brasil), uns foram condenados mas a maioria não foi. Era difícil disfarçar, o rápido enriquecimento de alguns políticos, isto aconteceu sobretudo em negócios de imobiliário, um dos métodos preferidos era comprar um terreno agrícola, alguns dias depois o presidente assina um papel, permitindo que nesse mesmo terreno fosse possível construir habitações ou um centro comercial. Em poucos dias, o terreno multiplicava por várias vezes o seu valor.
Para combater essa corrupção, o governo criou tantas regras, criando uma burocracia tremenda, que reduziu a corrupção com este modus operandi, mas rapidamente surgiram outros modus de corrupção. Além disso, o impacto da burocracia é igual para todos, para corruptos e não corruptos. Aqueles municípios (prefeituras) onde não existia problema de corrupção, são igualmente vítimas da burocracia. Antes existia um problema localizado, agora o problema é a nível nacional.
Este excesso de burocracia criou um efeito colateral, agora os presidentes têm algum receio em aprovar projectos imobiliários e os que são aprovados demoram anos. Resultou um decréscimo severo na construção de novas casas em Portugal, após décadas a construir menos do que o necessário, estamos a enfrentar um terrível problema de escassez de habitação, tornou-se inacessível para os jovens, que adiam indeterminadamente a construção da sua própria família, isto está a hipotecar o futuro do país.
Isto leva-me a questionar, o que é pior, um país parado ou uma ligeira corrupção?
Só de questionar isto, dá-me arrepios.
A burocracia reduziu a corrupção?
Não, os presidentes corruptos apenas mudaram o seu modus operandi. É verdade que existia corrupção, mas a economia mexia, não existia falta de casas. Como está hoje, quase todos perdem, sobretudo o país e a corrupção mantém-se.
Com isto, eu não estou a defender a corrupção, pelo contrário, mas sim eliminar a burocracia, porque esta é tão nociva como a corrupção, dar mais autonomia e responsabilidade aos presidentes. A fiscalização deve ser à posteriori, com uma justiça rápida, eficaz e severa para quem comete ilegalidades. A corrupção não se combate com burocracia mas sim com fiscalização. Se a justiça for rápida e eficaz, é o maior incentivo para os presidentes fazerem o correto.
A burocracia condena todos, mesmo antes do crime ter sido cometido.