Que livraço esse “Kafka: os anos decisivos”, de Reiner Stach. Fica evidente o quanto a percepção que se tem da vida de Kafka foi prejudicada pela percepção que se tem de sua literatura.
Quem diria que o homem fosse um funcionário excepcional na firma de seguros da qual tanto falava mal em seus diários! E ele nada tinha de antissocial; ao contrário, era até bem vivido, tinha gosto por esportes e ginástica, sabia se comportar em público e encontrar o caminho até os bordéis.
Seu breve e reticente envolvimento com o sionismo é do maior interesse. Os judeus orientais (do leste europeu mais extremo, entenda-se) lhe forneceram bem mais que matéria com a qual meditar acerca da sua identidade. Na verdade, aquela trupe de gente pobre e inculta que recitava canções tradicionais em iídiche, gente pela qual desenvolveria grande simpatia, deu-lhe imagens monstruosas que depois seriam úteis.
“Certos gestos e personagens considerados especialmente kafkianos”, escreve Stach, “nasceram no teatro iídiche e na sala dos fundos do Café Savoy”, do qual escritor e muitos outros judeus eram habitués.
Tinha alguma antipatia por Kafka, na verdade indiferença pelo que me parecia uma figura monovalente e nem sempre criativa em suas obsessões. Sua literatura fica de pé por seus próprios méritos, sem dúvida, mas o seu caso é um desses raros em que o recurso à biografia do autor pode facilmente tornar-se uma extensão do empenho pessoal com os seus livros e atividade crítica necessária.
Ronald Robson
ronald@primal.net
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Writer. Radically Brazilian. | Autor de "Contra a vida intelectual, ou iniciação à cultura" (2024) e "Conhecimento por presença: em torno da filosofia de Olavo de Carvalho" (2020). | Criador de flusserproject.com
Infelizmente o lançamento de amanhã está cancelado. Se houver uma nova data, avisarei. View quoted note →
Está meio em cima da hora, mas aviso que neste domingo (17) estarei em São Paulo para um rápido lançamento de meu novo livro, “O mínimo sobre Olavo de Carvalho”.
Coisa simples. Falarei um pouco de meu trabalho com a obra de Olavo até o momento; chamarei atenção para alguns dados novos, de que só tomei conhecimento em data recente; e ficarei disponível para responder perguntas.
O bate-papo/lançamento será no salão nobre da Paróquia Santa Generosa (Av. Bernardino de Campos, 360, Paraíso), às 15h. Repito: neste domingo (17), hein.
Além do "Mínimo", estarão disponíveis alguns exemplares de "Conhecimento por presença: em torno da filosofia de OdC" e "O que restou de 22: uma semana na contramão da história".
Quem comprar utilizando bitcoin ganha um livro-brinde bem bacana.
Até lá. 

Está cada vez mais difícil dar uma força para livrarias físicas. Tem se tornado comum cobrar 100 a 200 reais por um livro, o que é algo escandaloso se penso no fato de que às vezes importo volumes “caros” da Europa pagando 300 (e até sem recorrer à Amazon).
O leitor relativamente liso como eu fica espremido entre a pirataria e a rendição à Loja do Diabo.
Sobra por ora o meio termo de aguardar as promoções das próprias editoras (e das feiras on-line, como a da USP, a da Unesp etc.), o que se tornou hábito para mim e sei que também para muito mais gente.
Next reading. 

"The question of anonymity and surveillance is essentially a dialectic of forests versus deserts. The desert is a place of complete uniformity and homogeneity. The forest is natural encryption where people are protected and they can advance their own ways of being. Anonymity allows people to create new ways of being and generate alternative political systems outside the small sphere of state-sanctioned activity. We call this the dark forest.
(...) The dark forest is non-state, rather than anti-state. It is radically exterior, alien."
- Rachel Rose O'Leary
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That's an idea.
What paid relay should I choose?
Meu novo livrinho já está em pré-venda na Loja do Diabo. Não é uma versão abreviada de "Conhecimento por presença"; é um livro todo novo, introdutório, sim, mas arriscado em muitos pontos. P. ex., ofereço o que até onde sei é a primeira interpretação de conjuntos dos escritos esotéricos de Olavo na década de 80 e sua transição para a obra mais pública dos anos 90.
Depois dou mais detalhes. Queria apenas ter a alegria de fazer o anúncio primeiro aqui no Nostr, só pra meia dúzia de gente.

Amazon.com.br
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Uma dose mínima de ignorância das “grandes questões” de sua época, daquilo que se fala nas rodas de maior badalação internacional, pode tornar menos acidentado o caminho até a sabedoria, até a intransigência para com tudo que tenha de espalhafato o que não tenha de profundidade e peso pessoal.
O indivíduo assim desenvolverá um instinto para a lorota, mesmo a lorota culturalmente chique, da qual irá se desviar menos por nela encontrar erro do que por encontrar enfado.
O tédio pode salvar.
In the future maybe all the history of internet until now will seem just a first step towards the wide adoption of open protocols. It’s up to us to make that happen. #Nostr
A. Grothendieck, "La Clef des Songes ou Dialogue avec le Bon Dieu"
https://www.quarante-deux.org/archives/klein/prefaces/Romans_1965-1969/la_Clef_des_songes.pdf
Is anyone working in a web browser with in-built support for #Nostr clients? Imagine navigating the web with immediate access to your #Nostr stuff in a sidebar. Something without ads and trackers (like Brave), but with all fancy multi-gadgetry associated with #Nostr (#Bitcoin wallets, social networks, blogs, podcasts).
Protestos contra Alexandre de Moraes que apelem a valores democráticos são inofensivos. Esse arremedo de juiz compreende nossa época mais que seus críticos. Sabe que acabou a etapa de dissensões. Agora, ganha quem ousa mais — e perto dele os seus adversários (um Monark, um Bolsonaro) são umas moças.
Protestos contra Alexandre de Moraes que apelem a valores democráticos são inofensivos. Esse arremedo de juiz compreende nossa época mais que seus críticos cultos. Sabe que acabou a etapa de dissensões. Agora, ganha quem ousa mais — e perto dele os seus adversários (um Monark, um Bolsonaro) são umas moças.
#Nostr is great, but the amount of messages just repeating it is boring.
“Die Frage des Angleichens der Arithmetik an die Geometrie ist die Frage der Gottwerdung des Menschen.” - V. Flusser

