*A long time ago, in a galaxy far away....* um jovem Capitão da Polícia Galáctica dos Hyperspace Lanes bebe em um espaçoporto de uma principais 'hyperspace lanes' saindo de Coruscant, e nota um piloto cargueiro anormalmente perdido. Checa o sistema, e voilà: nave cargueira roubada recentemente, mataram o piloto.
Nosso herói decide segui-la até o receptador, pra prender a quadrilha inteira. Coordena com colegas, e revezam seguindo-a por vários dias de setor em setor, até uma fazenda em um setor distante e pobre.
Já com mandado de um Juiz Galáctico, aterrisam, e em vários speeders surpreendem meliantes descarregando a carga.
Os meliantes se rendem. O mais velho adverte que seria melhor desistirem, apontando para uma câmera de segurança.
Os policiais algemam todos, e vão documentando a ocorrência, tranquilos, até que... Surgem mais speeders, com meliantes em maior número e armados com blasters bem mais pesados, um deles até monta um repeating-blaster militar. Sem chance. Os policiais galáticos são desarmados e esperam em um canto até o chefe chegar.
Meia hora depois, uma nave mais luxuosa que a da Padmé aterrisa verticalmente. Logo depois, chegam Black Armor Deathtroopers, que só haviam visto antes no holonet protegendo VIPs. Por fim, chega o Vice-Moff do Setor em pessoa, bufando de raiva:
- Que merda é essa, com que autoridade estão aqui?
- Mandado judicial.
- Nenhum porra de juiz nesse setor daria mandado contra mim! Qual a jurisdição?
- Juiz Galactico, a jurisdição é todo o Imperio.
O Capitão entrega o mandado, o Vice-Moff o lê, e rasga-o na cara dele:
- Este setor é MEU! SÓ MEU! A jurisdição aqui sou EU! Entendeu, idiota? Já corto as asinhas desse juizinho de merda. Ele não é mais seu problema. Vocês, sumam daqui, e não voltem, ou serão a janta do meu Rancor!
O Vice-Moff manda devolver os blasters nos porta-malas dos policiais galácticos, que voltam com os rabicós entre as pernas para os seus planetas no Galactic Core, e esquecem do assunto.
Mas não se preocupem, é só fan-fiction. May the Fourth be with you.
redes sociais são o caos. Viciam em desgraça e dopamina rápida. Não apenas nudging comercial direto ou algoritmos, o próprio formato "em pílulas" e a interface básica visam isso. Quem não se alegra com um like e foge dos 'textões'??
Ao mesmo tempo, as redes são o canal de informação dando a volta na mainstream mérdia (MSM).
O caos é o normal. O filtro da MSM criava um veniz de ordem, uma falsa 'pax zeitgeisti'. Todos debruçados na mesma janela para o mundo.
Os velhos que cresceram nela se assustam com o volume de informação das redes, a maioria, sobre problemas fora do nosso alcance, em tempo real, na excitação da novidade diária. Além de babaquice, fofoca, schadenfreude, narrativas diversas, e mentira na cara dura. Em pílulas minúsculas, impedindo visões profundas e empurrando chavões e emoções. Novos que faziam 'scroll' com o dedinho antes de aprender a ler, meio que dissolveram o cérebro nisso, e nem os velhos escapam.
Mas, o caos é o normal. Antes de existir imprensa organizada, comunicados oficiais se afixavam em portas de catedrais e castelos, discursos de primeira mão eram ouvidos só pelos presentes, e tudo se propagava via rádio-peão, misturado com fofocas e narrativas. Interesses não criavam e propagavam boatos? A verdade não era a 1a vítima de disputas e guerras? Redes sociais hoje são mais um poço infernal cacafônico do que eram uma corte real, um parlamento ou uma taberna ante portas?
A história está cheia de narrativas vencedoras, boatos, pânicos e bolhas, geradas pela incapacidade da comunicação coerente vencer o caos. (e.g. o livro 'Leyenda Negra' da Maria Elvira cataloga várias, no caso contra a Espanha. Inclusive as xilogravuras holandesas, um antecedente dos memes políticos)
Servos medievais podiam se dar ao luxo da indiferença: "Se a guerra passar por aqui, morremos ou fugimos, só restará confiar em Deus. De resto, porque se importar com disputas sobre quem receberá os mesmos impostos, se o rei ou o primo dele?"
Com mais poder do Estado, não temos esse luxo. Desde a comida, educação, saúde, atomização e degradação familiar, inflação e moeda, até vacinas, sofremos ondas e ondas de ataques aos indivíduos e famílias, seja por negligência, ganância, intenção genocida ou uma combinação destas.
Ou mergulhamos no caos, ou nos expomos a sermos vítimas sem nem sequer perceber.
Ansiamos pela paz da nossa juventude, quando meia hora de TV depois da janta, e uma leitura semanal do jornal, eram suficientes para formar um cidadão 'bien-pensant'. Quando todos 'concordavam', exceto alguns divertidos excêntricos. Quando não gastávamos tantos ciclos mentais com problemas fora da nossa esfera, nem sofríamos com estresse dos detalhes diários.
Não sabemos como lidar com isso, nem como indivíduos, nem como devs. Como indivíduos devemos aprender a lidar com a carga psicologica e limitar o tempo, e como devs, a construir soluções diferentes das comerciais.
Há algumas direções possíveis, que não cabem nesse post.
Além de serenidade e desprendimento, cada vez mais necessários, mas sempre difíceis. Não lembro o nome, mas havia um sujeito que viveu toda a Revolução Francesa, de 1789 a 1815, em Paris, cuidando do seu jardim, como se nada estivesse acontecendo.