𝚋𝚊𝚝𝚜𝚒𝚚's avatar
𝚋𝚊𝚝𝚜𝚒𝚚
npub1cx5j...7yr8
«Honk, honk!» — Harpo Marx ᵐᵃⁱˢ ᵘᵐ ᵒᵇˢᶜᵘʳᵒ ⁿᵒˢᵗʳⁱⁿʰᵒ ᵇᵃⁱˣᵃ ʳᵉⁿᵈᵃ ᵉ ᵈᵉˢᵈᵉⁿᵗᵃᵈᵒ ☠︎︎ ᵐᵉᵃʳᶜˢᵗᵃᵖᵃ ☠︎︎ I'm not on Bluesky / Não tenho conta no Bluesky ᵇᵉʷᵃʳᵉ ᵒᶠ ˢᶜᵃᵐᵐᵉʳˢ / ᶜᵘⁱᵈᵃᵈᵒ ᶜᵒᵐ ᵍᵒˡᵖⁱˢᵗᵃˢ
Carlos Pena Filho, Pedro Álvares Cabral: O enorme céu que cobre mar e mágoas e abriga os astros, sustém meu claro sonho sobre as águas, velas e mastros. Um dia hei de encontrar terra ignota: é assim quem sonha. E se nenhuma houver em minha rota, Que Deus a ponha. Em meio ao longo mar não faço caso dos dias meus, Pois tenho a guiar-me o vento ou o puro acaso e o acaso é Deus.
Protestantismo e Brasilidade – Dilema Não Resolvido Em sua infância, no interior empobrecido da África, o teólogo evangélico Tite Tienou foi à escola primária, onde teria a sua primeira lição de História. Seu país era, então, uma colônia francesa, os livros adotados vinham todos da França, e eram os adotados pelos estudantes da metrópole. Nada de referência à história da África ou do país, mas, a primeira lição começava assim: “Os nossos ancestrais, os gauleses”. Ou seja, a conexão cultural e ideológica do colonizado não era com as suas raízes, mas com o dominador: africanos descendentes de gauleses... Os impérios não dominam principalmente pelo uso da força (“hard power”), mas pela hegemonia, pela capacidade de fazer o dominado pensar a partir da ótica do dominador, e achar que está pensando os seus pensamentos (“soft power”), ou seja, se domina pela cultura. Com o pecado original, não apenas pessoas, etnias e classes oprimem outras (“relações assimétricas”), mas nações e Estados controlam outras: Império. No tempo de Jesus, os saduceus eram assimilados colaboracionistas do Império Romano; os fariseus seus opositores pela “via pacífica”; os zelotes pela “via armada”, enquanto os herodianos se locupletam de uma monarquia títere corrupta, e os essênios se alienavam misticamente em suas comunidades monásticas. Uma coisa, como dado objetivo, é a presença de estrangeiros, com o Protestantismo de Imigração no Brasil, debatendo, em alemão, temas irrelevantes como “Luteranidade e Germanidade”, bem como a presença idealista e sacrificial dos pioneiros do Protestantismo de Missão, com a exportação para nós das suas culturas (“o evangelho em roupagem anglo-saxã”, segundo Samuel Escobar), não dolosa ou maldosa em sua motivação, mas fruto de condicionamentos de uma“missão civilizatória” bem intencionada. Outra coisa é quase dois séculos depois, e após vários episódios de busca sincera e competente de elaboração de uma aculturação/inculturação/pensamento e via nacional, sofremos uma enxurrada de textos e palestrantes (a maioria jogando na terceira e quarta divisões no “campeonato teológico” dos seus países de origem) explorando um mercado consumidor promissor, fazendo a cabeça, e tornando uma realidade, também no campo religioso, o que ironicamente se denominou no campo secular da América Latina, de “complexo de vira-lata”. Não somente se adota, de maneira acrítica, escolas de pensamentos e métodos infalíveis importados, mas se carece de um selo de qualidade, uma espécie de“ISO 2012” religioso para se legitimar ou se valorizar qualquer coisa por aqui. Até o recente e questionável título de “apóstolo” somente é reconhecido quando se porta um certificado de uma entidade credenciadora com sede nos Estados Unidos. Gilberto Freyre, o sociólogo-antropólogo, ex-batista, costuma afirmar: “Os protestantes nos deram bons gramáticos, mas não produziram literatos”. Os protestantes brasileiros, agravados pelo fundamentalismo e pela escatologia pré-milenista, pré-tribulacionista, estão todos dedicados à economia (agricultura, indústria e serviço), ao aparelho burocrático civil e militar, ou  à área da saúde e da tecnologia, mas  quase completamente ausente dos espaços construtores da cultura nacional: folclore, artes, literatura, filosofia, pensamento social. A latinidade ibero-católica é rejeitada como “idólatra” e os traços culturais afro-ameríndios são jogados todos na lata comum da “feitiçaria”. Uma excepcional e peculiar experiência é a representada pelas igrejas macumbo-protestantes (ditas“neopentecostais”) em seu sincretismo, enquanto traços negativos (“mundanos”) da cultura brasileira (que se deveria “salgar” pela participação) como o campo político clientelista, corporativista são adotados, com orações pela propinas e dízimos das mesmas. Em 14 anos como Bispo, lecionei apenas uma vez, em um dos nossos Seminários, a disciplina Teologia Latinoamericana, que, creio, nunca mais foi oferecida, como também tenho a forte impressão, é uma universal ausente nas“casas de profetas” das diversas denominações pátrias. Em um congresso nacional de estudantes universitários evangélicos (ABU) quem dirigia a oficina sobre a literatura brasileira era um casal de missionários ingleses: ela especialista em Érico Veríssimo e Jorge Amado; e ele em Euclydes da Cunha. Na plateia, a quase totalidade dos nossos estudantes jamais havia lido um romance ou um livro de poesias de um autor nacional... A essa altura do campeonato, fica a pergunta: somos uma religião de“estrangeiros”, ou somos uma religião “estrangeira”, sem participação, sem pontes e sem influência com a cultura nacional? Os crentes – artistas, literatos ou pensadores – que teimam em remar contra a maré, não terão audiência, nem editoras, nem respeitabilidade/credibilidade. Se, dependendo, da denominação, não forem “queimados” ou “disciplinados”. Como o meu velho amigo Tite Tienou, entre os arbustos da “África Francesa”, aprendendo que era descendente de gauleses, nossos seminaristas, pastores e líderes, talvez possam iniciar o primeiro capítulo dos nossos livros de História recitando: “Nossos ancestrais, os Pais Peregrinos, quando chegaram no Mayflower...”. Enquanto isso, meio quixotescamente, tenho tentado promover um Anglicanismo com face humana e morena, quando seria mais fácil sermos legitimados se apenas copiássemos as matrizes forâneas conservadoras. Talvez começando por“desordenar” as mulheres e os divorciados, ou, quem sabe, eleger como meu sucessor um estrangeiro, como é tão usual na América do Sul?... Paripueira (AL), 08 de janeiro de 2012, Anno Domini. +Dom Robinson Cavalcanti, ose Bispo Diocesano
José Gorostiza, Pausas: I ¡El mar, el mar! Dentro de mí lo siento. Ya sólo de pensar en él, tan mío, tiene un sabor de sal mi pensamiento.                II No canta el grillo. Ritma la música de una estrella. Mide las pausas luminosas con su reloj de arena. Traza sus órbitas de oro en la desolación etérea. La buena gente piensa - sin embargo - que canta una cajita de música en la hierba.
Giuseppe Ungaretti, Casa mia: Sorpresa dopo tanto d'un amore Credevo di averlo sparpagliato per il mondo