Paulo Bonfim, Soneto I
Venho de longe, trago o pensamento
Banhado em velhos sais e maresias;
Arrasto velas rotas pelo vento
E mastros carregados de agonias.
Provenho desses mares esquecidos
Nos roteiros de hΓ‘ muito abandonados
E trago na retina diluΓdos
Os misteriosos portos nΓ£o tocados.
Retenho dentro da alma, preso Γ quilha
Todo um mar de sargaΓ§os e de vozes,
E ainda procuro no horizonte a ilha
Onde sonham morrer os albatrozes...
Venho de longe a contornar a esmo,
O cabo das tormentas de mim mesmo.